Na vida e na política nada é por acaso. Quem erra ou vacila, acaba perdendo. O escândalo envolvendo o Banco Master em novembro de 2025 deixou um rombo financeiro estimado em mais de R$ 50 bilhões, além de repercussões e feridas políticas significativas para o Supremo Tribunal Federal e para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso tem sido usado com relativa competência pela oposição e, de forma galopante, vem causando tensões internas e externas no Lula 3.
O reflexo político também se manifesta na relação entre o setor financeiro privado e figuras públicas, envolvendo suspeitas de influência, repasses atípicos e movimentações em fundos de pensão de servidores. Como o Brasil e o mundo imaginavam, o desgaste se materializou em números. Conforme pesquisa divulgada no sábado (11) pelo Instituto Datafolha, os percentuais consolidados de Lula começam a derreter e a incomodar os governistas.
Lula não está mais sozinho na estrada. No retrovisor, mais precisamente colado na traseira do trio elétrico petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) começa a dar o ar da graça. De acordo com os últimos dados, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro tem 46% das intenções de votos em cenário de disputa no segundo, contra 45% de Luiz Inácio. É a primeira vez que o pré-candidato do PL aparece numericamente à frente do líder petista.
Embora os governistas minimizem os números e tratem a vantagem da oposição como “retrato do momento”, o fato é que o novo levantamento do Datafolha assustou o entorno do presidente da República que, durante meses, nadou de braçada rumo à quarta eleição. Expectativas de melhoria à parte, a pesquisa preocupou demasiadamente os aliados de Lula. Nos bastidores do Planalto e do Congresso restam poucas dúvidas de que o caso o banco Master atingiu mais fortemente o governo do que a oposição.
É claro que os percentuais ainda não são definitivos. Com Flávio Bolsonaro nos calcanhares de Lula, a esperança de Luiz Inácio e de seus aliados é que os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), também pré-candidatos, dividam votos com o representante do PL e acabem beneficiando o PT na reta final da eleição. Entretanto, como não escondem mais o temor de uma eventual derrota, até lá a esquerda certamente vai colocar as barbas de molho.
Tudo decorrência do envolvimento de expoentes políticos vinculados a Lula e citados como beneficiários do banco Master, entre eles os ex-ministros Ricardo Lewandowski e Guido Mantega, que trabalharam em diferentes gestões de Lula. Concordo com as lideranças da esquerda no sentido de que a realidade atual deverá sofrer alterações até outubro. Todavia, a certeza dos governistas é que o cenário não é mais aquele de pule de dez. Apesar das tentativas de descolar Lula do escândalo, o céu de brigadeiro se transformou em mar revolto. Para os aliados, normalmente a sociedade credita ao governo e às instituições governamentais qualquer sintoma de corrupção.
Como essa afirmação é verdadeira, imaginemos o que deve sair da provável delação premiada do falido banqueiro Daniel Vorcaro. A se confirmar o que já é parcialmente de conhecimento público, não sobrará pedra sobre pedra. Se alguém se salvar desse que é considerado o pior escândalo financeiro do país, o Brasil também estará salvo. Ou seja, aquele que conseguir pular da aeronave de Vorcaro antes dela explodir talvez vença a disputa pela Presidência da República. A nós, mortais eleitores, resta torcer que consigamos pelo menos salvar a nação. Que a pimenta nos olhos deles seja realmente refresco para nosotros.
…………..
Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978
