Enquanto tento botar meu bloco novamente na rua, me lembro dos grandes ídolos que a música e o povo do País Tropical preferiram esquecer. As razões jamais se justificaram. Por que apagar da memória pessoas que nos permitiram sonhar, sorrir, amar, ser amado e, às vezes, chorar por aquilo que pagamos sem nunca ter feito? E por que esquecer canções que nos fizeram ver A Banda passar e curtir a vida pelo Retrovisor? Deslizes à parte, meu Chão de Giz quase ruiu ao perceber que, para boa parte dos Pais e Filhos Linda, o que foi bom não passou de um Desafinado Flash Back. Tudo por causa da Alucinação e da Alma daquele que, com seu Olhar 43, obrigou milhões de brasileiros a experimentar a Marvada Pinga do ódio.
Helena, Helena, Helena, Não Se Vá. A Preta Pretinha continua linda. E o que dizer da Flor de Lis? O sonho acabou? Claro que não, embora o que era preto jamais ficará branco para os brancos. Menino pobre, negro, alegre e com voz, swing e molejo que encantaram o mundo da música, Wilson Simonal virou herege por conta da inveja dos brancos e da elite que, desde o início do mundo, não aceitam o sucesso dos homens e mulheres de cor. Do topo das rádios e televisões e do abraço do povo à indiferença da indústria cultural e à morte solitária e triste, Simonal foi o maior exemplo de que a vida passa, o telefone toca e o Brasil não atende mais os “malditos” que um dia foram chamados de ídolos.
Para sorte dos mais novos, os mais velhos choram a morte de lendas da música, mas se recusam a deixar morrer suas canções. Eles partiram, mas as histórias e as poesias de Simonal, Sérgio Sampaio, Jorge Mautner, Luiz Melodia, Taiguara, Jards Macalé, Raul Seixas, Zé Rodrix, Raimundo Sodré e Paulo Diniz são eternas. Saudoso dos alto-falantes dos parquinhos de diversões dos anos 70, se eu pudesse e meu dinheiro desse, compraria uma passagem só de ida para o Rio de Janeiro da Jovem Guarda, da bossa nova, do rock, do samba-rock e das canções românticas em discos de vinil.
Antigo material de ponta dos catálogos das lojas de disco, o que restou do acervo dos mestres hoje não passa de arquivo sujo, “ultrapassado” e longe da memória da maioria dos brasileiros. Quem sabe um dia esse povo ainda resolva Voltar Pra Bahia ou se transformar na Metamorfose Ambulante, também conhecida por alguns como Ouro de Tolo. Além de poesia, havia humor e crítica social nas letras convertidas para canções. Eram verdadeiros Pingos de Amor caindo sobre o Estácio Holly Estácio. A Juventude Transviada até curtia um Vapor Barato enquanto repousava o Sangue Latino do Doce Vampiro sobre o Azul da Cor do Mar.
Entretanto, entre as Dores de Amores e o Universo No Teu Corpo, o mais importante é que o Garoto Que Amava os Beatles e os Rolling Stones viveu Como Nossos Pais, correu a 300 Km Por Hora até o dia em que, preferindo o Sossego, se converteu na Linda Juventude. Era a turma da Sociedade Alternativa, aquela que, cansada de procurar pela Garota de Ipanema, deu de cara com a Pérola Negra e, com apoio do Menino do Rio, subiu no Mustang Cor de Sangue e partiu pela BR-3 até alcançar o Módulo Lunar, de onde embarcou no Trem das Onze, com baldeação no Trem Azul. Sem o Domingo no Parque, acho que Vou-me Embora Pra Pasárgada.
Eu e a Brisa, mais a Margarida, a Carolina, a Lígia e a Luciana estamos em busca do Divino Maravilhoso. Talvez encontremos pelo caminho o Fio Maravilha, o Charles Anjo 45 e a Menina Veneno. Se a Andança for do tipo Canção do Exílio, aproveitamos o carnaval político e, após as Águas de Março, fazemos a Travessia até o Ensaio Geral. Para Não Dizer que Não Falei das Flores, lembremos da Primavera, período em que, na maior Alegria, Alegria, sempre estamos próximos do Barato Total. Será O Bêbado e a Equilibrista? Quem mais? Chega de Saudade! Que Insensatez? Nada Será Como Antes.
As Rosas Não Falam, mas o Fato Consumado é que, em nosso Lindo Lago do Amor ou nos Canteiros do Brasil, a Ovelha Negra sumiu nas Paralelas. E sobre o Carcará e sua Máscara? Só Louco para continuar acreditando em suas Mentiras. Como O Mundo é um Moinho, as boas músicas, as coisas inesquecíveis e os bons políticos jamais serão um Epitáfio. E nós? Canta Canta, Minha Gente! Tocando em Frente e cada um com sua Ideologia, Sutilmente vamos em busca do Segundo Sol. Ou seria da quarta Anunciação? Pouco importa. Importante é que, Rindo à Toa, depois de Pelados em Santos, hoje Somos Quem Podemos Ser. Até Quando? Deixa Isso Prá lá.
……..
Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras
