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São Paulo monta tendas nas ruas para vítimas da dengue

Diante do grande número de pacientes com dengue, ou com suspeita de ter contraído a doença, a prefeitura de São Paulo instalou cinco tendas de atendimento ao lado de unidades básicas de saúde. Na próxima semana, mais quatro tendas estão previstas para serem inauguradas.

Segundo o balanço mais recente, que considera o período entre 4 de janeiro e 28 de março, a cidade de São Paulo registrou 8.063 casos autóctones (contraídos no município) confirmados. O número de suspeitas é bem superior, de 31.980 casos. Entre esses, 38% estão concentrados na zona norte da cidade.

Três tendas foram instaladas justamente nessa área mais afetada: no Jardim Vista Alegre (região da Brasilândia), no Jaraguá e na Freguesia do Ó. Duas foram para a zona sul: M’Boi Mirim e Cidade Ademar. As novas tendas ficarão nos bairros da Lapa (Oeste), Rio Pequeno (Oeste), Vila Manchester (Sudeste) e Itaquera (Leste).

Na tenda da Freguesia do Ó, inaugurada hoje (14), o movimento era grande nesta manhã. Peter Anderson Gentili, colorista de 35 anos, havia acabado de passar por uma triagem inicial para descobrir se estava com dengue. “Sinto dor no corpo, na garganta, dor de cabeça, moleza, fraqueza”, contou.

O resultado do teste para descobrir se o paciente tem o vírus da dengue demora, em média, 5 dias. A dengue grave, porém, pode ser identificada num exame rápido (fica pronto em 5 minutos), usando apenas uma gota de sangue. Esse teste mede a concentração de plaquetas e, caso o paciente esteja com baixo índice, já é encaminhado para tratamento imediato, sem precisar esperar pelo diagnóstico definitivo.

Peter é morador da região da Brasilândia, que está entre as localidades mais afetadas pela dengue na capital paulista. Ele suspeita, porém, que tenha contraído a doença numa viagem à Piracicaba. “Eu viajei e voltei com os sintomas no domingo, e hoje já piorou”, disse ele.

Maria José de Oliveira, de 63, doméstica, teve a doença confirmada há 12 dias. “Fiquei muito ruim, mas agora já está melhorando. Era muita secura na boca, febre, tosse, dor nas pernas, dor na vista”, relatou. Ela mora no Jardim Maracanã, na zona norte, com alta incidência da doença. “Na rua da minha casa, a maioria das pessoas está com dengue. Lá, uns cuidam do quintal, tiram os criadouros [do mosquito Aedes aegypti], mas outros não ligam para nada”, disse.

Ana Dirce, doméstica, com 54 anos de idade, acompanhava o filho de 21 anos, com dengue há 4 dias. “Foi uma luta para ele ser atendido. O hospital estava cheio, com muita gente doente. Após os sintomas inciais, o rapaz retornou ao posto de saúde sentindo coceiras, dores nas pernas e fraqueza.

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, aproximadamente 850 pessoas foram atendidas na tenda da Brasilândia. Ainda não há estimativa sobre os atendimentos nas outras tendas da cidade.

Segundo a prefeitura, as tendas servem de apoio para o atendimento. Pacientes com suspeita de dengue passam por triagem antes do encaminhamento para as tendas. Dependendo do caso, os doentes começam o tratamento ainda no local ou são levados para hospitais.

Fernanda Cruz, ABr
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