Depois das sandices combinadas entre Jair, Carlos e Eduardo Bolsonaro, será que ainda há algum brasileiro normal que acredite na sanidade de Flávio Bolsonaro? Será que algum brasileiro que não tome Rivotril ou que dispense consultas psiquiátricas semanais apostaria em 01 para presidente da República? Como diz um samba antigo, escrito por Alcides Gerardi, tem bobo pra tudo. Na conversa, camelô vende algodão como se fosse veludo. Pior são os políticos vigaristas que juram honestidade, mas, eleitos, morrem de medo da verdade. Esses sempre agradam, porque no Brasil do fanatismo tem bobo pra tudo.
Se incluem nesse rótulo aqueles que têm a oportunidade de se livrar do sofrimento, mas choram só de se imaginarem felizes. São os que merecem sofrer. No Brasil de hoje há pelo menos um terço da população que nasceu para coadjuvantes. Essas pessoas são secundárias, assistentes dos estagiários de auxiliares e morrerão sem experimentar o protagonismo. Os outros dois terços batalham para seguir em frente, enquanto o primeiro terço volta para trás, mesmo sabendo qual será o resultado. Parece sina dos que erram dez vezes mil vezes, mas não aprendem.
De forma pragmática e sem rodeios, o que o clã Bolsonaro já fez de útil para o país e de benéfico para o povo? Que eu saiba, Flávio é somente uma cópia em preto e branco e piorada do pai. Portanto, caso os deuses fechem os olhos para o Brasil, ele se elege, anistia Jair e sua corriola e certamente planeja um novo e fracassado golpe. Como tem gente que nasce para sofrer, no Brasil de lacaios tudo é possível, inclusive nada, isto é, Flávio, o pai, os irmãos, a madrasta e a bandidagem do Congresso serão novamente obrigados a assistir à posse de Luiz Inácio pela TV.
Felizmente, o lado bom do Brasil ainda é maioria. Após quatro anos entre a desgraça, o caos, a leviandade, o descaso, o negacionismo e o golpismo, a sociedade menos beligerante e mais solidária descobriu que o sonho e a esperança são dois calmantes que a natureza concede gratuitamente ao ser humano. E, ao contrário do que disse o poeta romano Horácio, a duração breve de nossa vida não nos proíbe de alimentar uma longa esperança. Didaticamente, uma montanha de memórias jamais deve ser igual a uma pequena esperança, cuja definição mais lógica é sonhar acordado.
Depois da turbulência política, a bonança parece ter se acomodado na figura daquele que provou ao mundo que, pior do que perder uma eleição, é se perder. O adversário meteu os pés pelas mãos, não ganhou mais nada e, de quebra, perdeu a liberdade que sonhava em confiscar dos brasileiros. Robusto defensor de todas as formas de despotismo, acreditar em Flávio Bolsonaro ou em qualquer outro membro da família é lembrar uma das mais célebres analogias de Leonardo da Vinci, para quem o casamento é como enfiar a mão num saco de serpentes na esperança de apanhar uma enguia. Meu nome é esperança. O de Flávio é, a exemplo de Jair, peçonha.
Considerando que quem comanda o país é um democrata de carteirinha, meu presente é a sombra que se move separando o ontem do amanhã. É nela (ou nele) que repousa minha esperança e a de milhares de milhões patriotas. Não tenho interesse em olhar à direita, muito menos à extrema-direita. Importante é que, do outro lado, o lado sério, há uma série de pesquisas eleitorais indicando que Lula da Silva como o ano na liderança das projeções para a eleição presidencial de 2026. Quanto à dificuldade de aprendizado dos Bolsonaro, sugiro que atentem para o tempo de esquecer os erros do passado e começar a planejar os erros do futuro. Resumindo, o fim dos sonhos de uns é a porta da esperança se abrindo para outros.
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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras
