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Sorte, talento e o pé quente de Lula também no cinema

Com todo respeito aos céticos, aos hereges, aos invejosos e aos antipatriotas, mas, nos últimos três anos, nada no Brasil é tão bom que não possa melhorar. Após enterrar o desânimo, o mau humor, o rancor e o egoísmo, o brasileiro de fé, da verdade, do trabalho e da paz interior recuperou o otimismo e o sorriso, considerado em qualquer tempo a principal obra de arte da alma. Popularizada pelo Barão de Itararé, a frase “Triste do país e do povo que não têm ideias para mudar” é do século passado, mas parece ter sido cunhada pelo jornalista Apparício Torelly em janeiro de 2023 ou, na melhor das hipóteses, em janeiro de 2026.

A expressão sugere que não existe vergonha no fato de mudar de ideia, reconhecer um erro ou adaptar-se a novas informações ou circunstâncias. A verdadeira tristeza é ficar preso a um pensamento, caminho ou situação que não funciona e não ter capacidade ou criatividade para buscar alternativas. Tudo na vida seria fácil não fossem as dificuldades. Todos com um mínimo de raciocínio e de pudor hão de se lembrar que vivemos dois pares de anos para serem lembrados como os piores de nossas vidas.

Digo das vidas como referência explícita àqueles que preferem guardar na memória momentos, sentimentos, pessoas, experiências, sensações e aprendizados que geram alegria, saudade ou reflexão. No meu baú de boas lembranças, há o antes e o depois da antiga ditadura e do recente golpismo. Como qualquer brasileiro com ideias para mudar, estou convencido de que correr atrás de maluco é assumir a maluquice congênita. Ideologicamente não mudei, mas, escandalizado com a sandice ideológica de alguns, decidi apostar em quem já teve o caos dentro de si, mas, ainda que tardiamente, percebeu que tem pouco valor tudo aquilo que tem preço.

Mais importante do que os valores é a consciência. Mais uma vez pedindo perdão aos fariseus, o presidente Lula é hoje o político que melhor se associa ao sucesso interno e externo do Brasil. Começamos 2026 com o pé direito pisando à esquerda. O passo inicial foi recuperar o respeito do governo norte-americano, cujo presidente descobriu rapidamente que o diabo pintado de vermelho é infinitamente mais correto e mais competente do que os cinzentos e falsificados profetas que rogaram por sua intervenção econômica e jurídica no país que sonhavam chamar de seu. Encolhida e insatisfeita com a leveza da democracia, a torcida para que o governo entrasse em transe buscou refúgio nos EUA e na Argentina de Javier Milei.

Enfim, apesar dos duvidosos faniquitos, as pessoas desnecessárias à nação estão devidamente recolhidas. Enquanto isso, do lado de fora tudo é festa. Faz sete anos que o futebol brasileiro domina o continente sul-americano. Após 27 anos de negociações, finalmente foi assinado o acordo que prevê a redução gradual de tarifas sobre a maior parte de bens e serviços produzidos pelos países do Mercosul e da Europa. Nessa segunda-feira (12), o Brasil amanheceu ainda mais feliz com a noite histórica do cinema nacional. Contestado pelos simpatizantes da ditadura, o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, ganhou as estatuetas de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e de Melhor Ator em Filme de Drama.

Antes de Wagner Moura, Fernanda Torres também havia sido premiada como Melhor Atriz em Filme de Drama por sua atuação no filme Ainda Estou Aqui. Curiosamente, os dois filmes têm como referência os anos de chumbo, foram vencedores justamente durante a gestão do democrata Lula da Silva e a premiação ocorreu nos EUA. Sorte ou talento do cineasta, dos atores e do presidente da República? Acho que, além do pé quente, as duas coisas, pois a sorte de ter talento não basta. Também é preciso ter talento para a sorte. Os fatos e as fotos indicam que Fernanda, Kleber, Wagner e Lula têm de sobra. Orgulho para milhões de brasileiros, a gestão e os prêmios deixaram alguns à beira de um ataque de nervos.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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