No tabuleiro nervoso da política brasiliense, onde versões muitas vezes correm mais do que os fatos, a oposição decidiu bater em um tambor que, ao que tudo indica, é oco. O episódio envolvendo o banco Master e o Banco de Brasília (BRB) sacudiu o mercado financeiro, gerou desconfianças e abriu flancos para especulações —- algumas legítimas, outras nem tanto. No meio do vendaval, tentaram arrastar para o olho do furacão a governadora Celina Leão. Mas erraram o alvo.
A tentativa de colar na nova chefe do Executivo distrital a pecha de corresponsável por uma negociação que gira em torno do banqueiro Daniel Vorcaro carece de um elemento básico: conexão factual. Não há registro, bastidor ou testemunho que sustente a tese de que Celina tenha participado, influenciado ou sequer sido informada sobre os movimentos que agora são objeto de questionamento público e institucional.
E aqui reside o paradoxo: quanto mais a oposição insiste, mais expõe a fragilidade da própria narrativa. É como tocar um instrumento desafinado esperando aplausos — o som não convence, não mobiliza e tampouco ecoa junto ao eleitorado.
Celina, por sua vez, adota uma estratégia que mistura silêncio cirúrgico e firmeza institucional. Não terceiriza responsabilidades, mas também não aceita herdar culpas que não lhe pertencem. Seu trunfo é simples e poderoso: nunca tratou do assunto. Em tempos de política contaminada por versões e insinuações, a ausência de envolvimento não é detalhe – é blindagem.
Ao defender que tudo seja apurado “até o último centavo e o último CPF”, a governadora desloca o debate do campo da narrativa para o terreno dos fatos. E isso muda o jogo. Porque investigação se faz com prova, não com palanque.
Enquanto isso, nos bastidores, a avaliação é pragmática: o caso Master-BRB pode até produzir ruídos institucionais e desgastes para atores diretamente envolvidos, mas não encontrou, até aqui, aderência eleitoral contra Celina Leão. Ao contrário – há quem veja no episódio uma tentativa frustrada de criar um fato político onde não há lastro suficiente.
A oposição, ao insistir na tecla errada, corre o risco de transformar um tema complexo em munição de festim. E munição de festim, em campanha, só faz barulho – não derruba adversário.
No fim das contas, o eleitor costuma ser menos suscetível a narrativas forçadas do que imaginam os estrategistas de ocasião. Se não houver prova, vínculo ou responsabilidade clara, o episódio tende a seguir seu curso nas instâncias competentes, longe das urnas.
E nas urnas, como indicam os sinais mais recentes do cenário político local, o que deve pesar não é o eco vazio de acusações, mas a percepção concreta de gestão, postura e credibilidade.
A oposição bate. Mas o som não sai.
