Com a aproximação das eleições de outubro, a corrida pelo Governo do Distrito Federal entra em uma fase mais acirrada, marcada não apenas pela tradicional movimentação política, mas também por episódios de ataques indiretos e disseminação de mensagens com tom ambíguo nas redes e bastidores.
A governadora Celina Leão (PP), que buscará a reeleição após assumir o cargo com a saída de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar o Senado, aparece como um dos principais alvos desse tipo de estratégia. Analistas políticos avaliam que parte dessas ações tenta associar a gestora a controvérsias jurídicas, especialmente no contexto da Operação Drácon.
Entretanto, segundo interpretações de juristas ouvidos por Notibras, a situação da governadora não configura, neste momento, impedimento concreto à sua candidatura. Os réus do caso foram absolvidos em primeira instância na esfera criminal, e o que tramita atualmente é um recurso do Ministério Público. Caso haja reversão da decisão, ainda caberiam recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Um precedente frequentemente citado é o do ex-deputado Raimundo Ribeiro, também mencionado na investigação original. No caso dele, o STJ determinou o trancamento da ação penal, decisão interpretada como indicativo de fragilidade das acusações iniciais. No vocabulário vulgar (também empregado ocasionalmente pelos magistrados) significa um recado ao MP: “A cagada que vocês fizeram é tão grande que é melhor excluir o paciente da ação, pois se for estender a conversa é vocês que vão para o banco dos réus”. É como abrir o caminho para que se chegue ao Reino dos Céus passando pelo buraco da agulha jurídica.
Enquanto isso, o cenário eleitoral também é influenciado por possíveis entraves jurídicos envolvendo outros nomes. O ex-governador José Roberto Arruda (PSD), por exemplo, permanece inelegível ao menos até meados do ano, quando o STF deverá decidir sobre mudanças recentes na legislação eleitoral, questionadas em ação apresentada pela Rede Sustentabilidade. O processo está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia.
Nos bastidores, surgem ainda especulações sobre a origem de ataques direcionados a adversários. Um dos nomes citados é o senador Izalci Lucas (PL), que também é apontado como possível candidato ao GDF. Ele enfrenta, porém, disputas internas, especialmente diante da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que já se posicionou publicamente em defesa do nome de Celina Leão. Outro personagem que aparece no sujo tabuleiro político que estão montando é o ex-senador Gim Argello, ligado ao grupo de Arruda e com histórico de condenação e prisão por corrupção como o seu líder.
Paralelamente, candidaturas consideradas competitivas e sem entraves jurídicos ganham espaço. Entre elas, destacam-se Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo), que correm “por fora”, e vistas como alternativas viáveis no cenário eleitoral. Outros dois pré-candidatos são fantasmas que não provocam eco junto ao eleitorado: Leandro Grass (PT) e Ricardo Capelli (PSB).
Em meio a esse quadro, a disputa pelo Palácio do Buriti tende a se intensificar nas próximas semanas, com a Justiça Eleitoral desempenhando papel decisivo na definição de quem estará apto a concorrer. Além disso, claro, quem anda tomando cafezinho misturando alhos com bugalhos, corre o risco de ser chamado a explicar quanto custa jogar num mesmo balaio gatos siameses e cães vira-latas.
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José Seabra é CEO fundador de Notibras
