Chã do Esconso não se anuncia com placas nem pressa. Ela se deixa achar devagar, no compasso da estrada de terra, entre o verde contido do Agreste e o céu que parece maior ali. É lugar de silêncio que conversa — um silêncio que acolhe, desses que não pesam.
De manhã cedo, o sol chega manso, escorrendo luz pelas folhas, acordando galinhas, espantando o friozinho da madrugada. O cheiro de café passado se mistura ao da terra viva, e o dia começa sem relógio, porque ali o tempo aprende a andar descalço. Cada som tem nome: o vento no capim, o bater distante de um portão, o canto insistente de um passarinho que parece saber segredos antigos.
Chã do Esconso é feita de gestos simples. Gente que se cumprimenta com o olho antes da palavra. Conversa que acontece na sombra, banco puxado pra calçada, história que cresce enquanto a tarde cai. Não tem espetáculo — e talvez por isso seja tão bonita. A paz ali não é ausência de problemas; é presença de cuidado.
Quando o sol se despede, o céu se tinge de laranja e roxo, e a noite chega inteira, sem luz artificial pra competir com as estrelas. O escuro não assusta: protege. Dá vontade de ouvir mais, falar menos, lembrar de quem a gente foi antes da correria ensinar outro ritmo.
Chã do Esconso não quer ser destino famoso. Quer ser abrigo. Um canto onde a vida respira fundo, e a gente, junto com ela, aprende de novo a ficar.
