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Vale tudo (dentro da lei) para dar a volta por cima no país onde o futuro é de incerteza

Em um ano e oito meses, o eletricista Rafael Azevedo Braz, de 26 anos, casado e pai de dois filhos, que cursa faculdade de engenharia elétrica, foi demitido duas vezes por causa da crise. Em fevereiro do ano passado, foi cortado da MRS, empresa de logística. Em julho deste ano, foi demitido novamente de uma empresa de manutenção de geradores. Nesse período, sua esposa, Juliana de Oliveira, hoje em licença maternidade, também foi vítima da recessão: foi demitida de um bufê e hoje está empregada numa banca de jornal.

Com esses tropeços, a renda da família, de quase R$ 4 mil, despencou para R$ 900, basicamente o salário da mulher.

Para bancar as despesas da família, Braz está fazendo “bicos” como DJ. “Mas nem todo fim de semana tem festa”, lamenta. Com essa ocupação, consegue tirar R$ 400.

A saída tem sido apertar os gastos. A compra mensal de supermercado foi reduzida a pequenas despesas: só reposição de itens básicos e, no máximo, alguns supérfluos, mas apenas para os filhos. “Antes fazia uma boa compra e deixava tudo estocado. Levava para casa 30 embalagens de suco em pó, Danone e bolacha recheada. Comprava bastante mistura.”

Para enfrentar os tempos difíceis, Braz repassou o financiamento do Vectra 2010 para o sogro e até pensou em parar de cursar a faculdade de engenharia. Embora tenha o Fies, o programa de financiamento do governo para a classe média, ele tem de arcar com despesas de livros e transporte, que somam cerca de R$ 200 por mês. “Mas, se parar a faculdade, tenho de pagar R$ 15 mil para o Fies, dos semestres que já cursei.”

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