O vício em apostas online se tornou um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e tem afetado de forma expressiva populações em todas as regiões do país, inclusive no Nordeste, onde milhões de pessoas apresentam comportamentos de risco, endividamento e comprometimento da saúde mental por causa das chamadas bets — apostas esportivas e jogos de azar pela internet. Dados nacionais recentes apontam que o fenômeno, que atinge cerca de 10,8 milhões de brasileiros, já é considerado uma questão de saúde pública por especialistas e autoridades sanitárias.
Segundo o estudo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), realizado entre 2023 e 2024, mais de um terço das pessoas que já apostaram em plataformas online apresenta comportamento de risco ou problemático, com elevados índices de compulsão, prejuízos financeiros e impactos sociais e emocionais.
Os dados mostram que a região Nordeste concentra uma grande parcela das pessoas com risco ou comportamento problemático ligados a apostas online, com proporção superior à média nacional. Entre os grupos mais vulneráveis estão jovens adultos, homens e pessoas com menores condições socioeconômicas, que têm sido mais expostos à publicidade agressiva e à facilidade de acesso a esses jogos por meio de celulares e internet.
Especialistas apontam que a expansão das apostas digitais e a falta de mecanismos eficazes de prevenção e apoio às pessoas em risco agravam ainda mais o problema no Nordeste, onde muitos apostadores relatam perda de patrimônio, endividamento e conflitos familiares decorrentes da dependência.
No Nordeste e em outras regiões, famílias relatam situações de endividamento, perda de bens e conflitos domésticos por causa do vício em apostas. Grupos de apoio e profissionais da saúde mental criticam a falta de políticas públicas robustas de prevenção, tratamento e acompanhamento, apontando a necessidade de ações integradas entre os setores de saúde, educação e assistência social para enfrentar o avanço da ludopatia.
O Ministério da Saúde e outras instituições já têm discutido estratégias para ampliar a assistência a pessoas com problemas relacionados a jogos de aposta, incluindo a oferta de serviços de tratamento e programas de conscientização sobre os riscos associados a esse tipo de dependência.
O vício em apostas online se configura, cada vez mais, como um problema de saúde pública que atinge milhões de brasileiros, inclusive no Nordeste, levando a consequências econômicas, sociais e emocionais expressivas. A expansão desse fenômeno exige respostas coordenadas do poder público, sociedade civil e profissionais de saúde para prevenção, cuidado e mitigação dos danos relativos à ludopatia.
