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Vida renova energias com novo ano no litoral do Nordeste

O ano vira quando o mar resolve ficar mais azul. Não é ciência, é sentimento. No litoral nordestino, o calendário muda junto com o vento, e o sal do oceano parece lavar não só os pés, mas também os pensamentos que pesaram demais ao longo dos meses.

Na areia ainda fresca da manhã, o Ano Novo chega sem pressa. Chega no balanço das ondas, no cheiro de protetor solar misturado com água salgada, no barulho dos coqueiros que cochicham promessas antigas: vai dar certo. Aqui, o tempo aprende a respirar melhor.

O mar, velho conhecido do nordestino, nunca é o mesmo. Cada janeiro traz uma cor diferente, um humor novo, uma lição silenciosa. Ele ensina que insistir é preciso, mas recomeçar é essencial. As ondas quebram, se desfazem, e logo adiante já estão inteiras outra vez. Assim também a gente.

Há quem entre no ano pulando sete ondas, há quem apenas molhe os pés e feche os olhos. Não importa o ritual. O que vale é o instante em que o corpo entende o que a cabeça ainda resiste: o passado ficou para trás, como pegadas que o mar apaga sem pedir licença.

No litoral nordestino, renovar energias não é moda — é herança. É sentar na beira do mar ao entardecer e sentir que, apesar das dificuldades, ainda existe beleza suficiente para seguir. É dividir um sorriso com um estranho, comer peixe fresco, ouvir uma risada solta e acreditar, nem que seja por um instante, que o mundo pode ser mais leve.

Quando a noite cai e os fogos se refletem na água, o mar não aplaude, não celebra em voz alta. Ele apenas continua. E nisso mora sua maior sabedoria: seguir, mesmo depois de tantos fins.

Ano Novo, mar novo. Que o litoral nordestino nos ensine, mais uma vez, a recomeçar com coragem, simplicidade e fé. Porque quem aprende com o mar nunca tem medo de tentar de novo.

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