Ao contrário do que gostam de sugerir alguns políticos, a grande batalha no Brasil não é da esquerda contra a direita, mas do Brasil contra todos os que se apropriam do Estado em benefício próprio. São esses que geram um peso insustentável para os governantes e, por extensão, para os contribuintes. Em resumo, a presidência de uma nação forte, poderosa e com latentes diferenças nada tem a ver com política, mas com decência humana. Na hora de votar, a prioridade é escolher os candidatos menos afeitos a transformar palavras em máscaras temporárias.
É por essa razão que sempre faço minhas as palavras do apresentador aposentado Fausto Silva, cujo bordão eleitoral mais famoso é a recomendação para que, independentemente do nível cultural, votemos tão bem como votamos nos paredões do Big Brother Brasil. Não tenho e nunca tive partidos políticos. Me limito às simpatias político-partidárias. Também não sou de esquerda e nem de direita, tampouco sei em quem votar no próximo dia 4 de outubro.
Como sou para frente e minha bandeira de ontem, de hoje e de sempre é contra a corrupção e a favor da democracia, acho muito mais importante saber em quem não votar. E isso, guardados os eventuais pesadelos, eu sei até dormindo. Na verdade, não costumo estragar o que desejei e que achei que dificilmente teria. A conquista foi árdua, pesada e dolorosa e mortal para alguns. Por isso, não esqueço que levei anos para aprender que poucos políticos merecem uma segunda ou quarta eleição.
Considerando que a maioria não merece nem uma primeira, mantenho minha tese primária de que campanha política se faz falando de soluções e não de erros dos adversários. Partindo desse pressuposto básico, me utilizo das qualidades e do merecimento do candidato como únicas potências capazes de me fazer decidir sobre ele. Sei e jamais esqueço que o bom político não é aquele que vence nas urnas, mas o que atende às necessidades do seu povo.
De acordo com a Constituição, todo cidadão com idade e escolaridade suficientes pode ser candidato. Entretanto, os livros sobre boa convivência ensinam que a política positiva se faz com respeito, humildade e boas práticas, a começar pela campanha. Infelizmente, isso não é para todos. Estamos bem próximos do caminho da zona. É chegada a hora de nós nos unirmos aos outros para lutar por alguma coisa, sob pena de sermos todos vencidos por qualquer coisa.
Por fim, é bom que saibamos que, enquanto candidatos, os políticos se esforçam para que mudemos. Eleitos, fazem de tudo para não mudarmos. Coisas dos politiqueiros. Pior são aqueles que chegaram ao poder pelo voto e agora tentam usar o voto contra as eleições e a democracia. No século XIX, o pensador francês Joseph de Maistre sugeriu que o governo é um reflexo da cultura e das escolhas da sociedade. Então, se cada povo tem o governo que merece, a questão maior é saber que tipo de povo temos sido.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978
