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Zavascki manda investigar vazamento da delação-bomba de Delcídio Amaral

Beatriz Bulla

O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), quer investigar o vazamento da delação premiada firmada pelo senador e ex-líder do governo Delcídio Amaral (PT-MS). Nesta quinta-feira, dia 3, a revista IstoÉ publicou trechos dos depoimentos do parlamentar, nos quais o petista afirma a investigadores que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da 24ª fase da Lava Jato nesta sexta-feira, 4, e a presidente Dilma Rousseff se envolveram diretamente em tratativas para atrapalhar o andamento das investigações.

A intenção de Teori Zavascki, segundo fontes do Tribunal, é pedir que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apure o vazamento das informações sigilosas. A delação de Delcídio ainda não foi homologada pelo ministro, o que deve ocorrer nos próximos dias.

O procedimento de análise do acordo de colaboração é visto com naturalidade no Tribunal, que já homologou as delações de outros investigados que citaram autoridades com foro privilegiado. As primeiras delações homologadas por Teori na Lava Jato foram as declarações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, em 2014.

Em fevereiro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou alterações em resolução que trata de investigações criminais. Pelo novo texto, os juízes devem instaurar apuração sobre vazamento de dados e informações sigilosas.

A divulgação precoce das informações sobre a delação de Delcídio, antes do fim do sigilo e da homologação, irritou o relator da Lava Jato na Corte e também a Procuradoria-Geral da República. Investigadores consideram que o vazamento é um obstáculo para o andamento da apuração – já que possíveis investigados tomam ciência de que seus nomes foram citados e podem, por exemplo, esconder possíveis provas.

O incômodo com o vazamento da delação fez com que PGR e Supremo silenciassem sobre o caso ontem. As declarações bombásticas do senador eram tema único nas rodas de conversa da cerimônia de troca do ministro da Justiça no Palácio do Planalto na manhã de quinta-feira. Exceto em uma: o grupo de procuradores da República que trabalha nas investigações de políticos implicados na Lava Jato tentava ignorar os debates sobre o tema.

“Não sei de nada”, diziam os integrantes do grupo de trabalho criado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e designado para ouvir e definir a estratégia de investigação de parlamentares no esquema. Janot seguiu ontem a mesma linha e preferiu não comentar o caso, mesmo procedimento adotado por Teori Zavascki, que deixou ontem a Corte “sem nada a declarar” sobre o vazamento.

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