Daria para escrever um livro só com as frases de efeito de Gilmar Mendes. Na sessão desta terça-feira, 15, o decano do STF resolveu atualizar a coletânea. Ao criticar André Mendonça pela forma como conduziu questões relacionadas ao caso Master, disparou que “em nome de Deus já se fez muita patifaria”.
A referência religiosa não foi gratuita: Mendonça é pastor presbiteriano, e Gilmar questionava justamente o que considerou uma condução política do caso. Na mesma sequência veio outra preciosidade: classificou a situação como capaz de “fazer corar um frade de pedra”, expressão usada para dizer que algo é tão escandaloso que envergonharia até uma estátua.
Gilmar ainda conseguiu elevar a temperatura quando afirmou que “até a máfia tem ética”. O contexto era novamente a acusação de que Mendonça teria conduzido o caso com viés político-eleitoral. Quando Mendonça pediu respeito e disse que o colega estava sendo leviano, Gilmar respondeu com outra frase destinada às compilações: “quem não se dá respeito não merece respeito”.
E ainda perguntou: “quem é o vazador-geral da República?”, ao cobrar explicações sobre a divulgação de informações das investigações. Em outro momento, resumiu sua tese dizendo que “até as pedras sabem” que havia viés eleitoral na condução do episódio. Convenhamos: argumentos jurídicos podem até ser esquecidos, mas Gilmar trabalha duro para garantir que as frases sobrevivam.
E ainda houve espaço para “pixuleco eleitoral”, expressão usada por Gilmar ao sustentar que o caso estaria sendo transformado em instrumento da disputa política, e para o alemão “eine grosse Konfusion”, algo como “uma grande confusão”, expressão à qual o ministro já recorreu outras vezes e que caiu como uma luva para a sessão desta terça.
Gilmar também criticou o afastamento de integrantes da Polícia Federal com uma comparação pouco usual para o Supremo: disse que seria como afastar o diretor da NASA ou o comandante do Exército e afirmou que alguém teria de “se algemar antes” de tomar uma decisão desse tipo. Entre frades de pedra, máfia, Deus, pixulecos, NASA e alemão, o decano praticamente dispensou os comentaristas: ele mesmo forneceu as manchetes do dia.

