Dores dos togados do Supremo serão expostas em praça pública

Redação
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Armando Cardoso, Foto Valter Campanato

Terça-feira, 16, é dia de Nossa Senhora das Dores. Sem qualquer analogia com o catolicismo, sobretudo porque as dores podem atingir pessoas terrivelmente evangélicas, mas a sessão especial de hoje do Supremo Tribunal Federal promete ser espetaculosa. Muito mais do que isso. Duela a quien duela, o esperado bate-boca entre os ministros deve extrapolar as raias da expectativa e mostrar à população a realidade nua e crua das vísceras malcheirosas da cúpula do Poder Judiciário. Nossa Senhora precisará fechar os olhos, pois as dores do mundo do poder político e econômico do país serão expostas em praça pública.

Para operadores do direito e para especialistas em Judiciário, a máxima vigente no STF normalmente estabelece que a sociedade pode ficar tranquila, porque, com uma dose mínima de inteligência, sempre se pode provar o contrário. Nem sempre. Usando palavras que soam como sacrilégio nas entranhas do Poder Judiciário, nada tem nexo naquilo que tem sido dito nos votos para a plateia e nas decisões para os parceiros. Tudo é apenas um reflexo. Que o digam os que, nessas duas últimas semanas, agiram como a girafa, sempre calada, vendo tudo lá de cima e dando o bote no momento oportuno.

Graças aos ministros tidos como sábios céticos, aqueles que sorriem só com um lábio, o vento mudou e furou a lona do Cirque du Soleil do mestre de cerimônias que se imaginou dono do picadeiro. Como desconfio de todo idealista que busca lucrar com seu ideal, amanheci com a certeza de que todos os santos estão trabalhando para salvar a Corte Suprema (não seus integrantes) da inanição e do esgotamento irreversível. Não sei se conseguirão. Tudo dependerá da atuação do presidente da instituição. Antes de tudo, o ministro Edson Fachin precisa ser informado de que André Mendonça é tão ministro como os outros.

Querer blindá-lo é o mesmo que tentar entrar sem chicote na jaula dos leões. Nesta terça-feira, a grande pergunta da comunidade cristã do Brasil, incluindo os evangélicos, é futurista: O que será que será? Como numa analogia com o mundo do futebol, diria para os que ainda não detêm a expertise dos juristas e para os jornalistas que acham que entendem de Judiciário que, às 10 horas, serão abertas as cortinas do universo da verdade e, simultaneamente, desfraldadas as bandeiras dos que torcem pela mediocridade nacional e dos que sonham com um Brasil sério e de todos, sem mentiras, e com ministros e políticos preocupados exclusivamente com a Constituição e não com a defesa de quem os indicou.

Nesse horário, no gramado do Supremo Tribunal Federal perfilarão as excelências que farão parte desse inédito e sangrento cotejo. Ou seria desse alarmante e histórico escândalo? Dependendo do rito, de um lado, em fila indiana e carregando o 22 às costas, estarão os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. Do outro, envergando um 13 meio desbotado e quase imperceptível, marcharão os volantes Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Flávio Dino. Os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia vestem Prada, mas, caso o primeiro tempo termine zero a zero ou um a um, a tendência é que eles vistam a camisa do time que tenta evitar que o raio volte a cair no Palácio do Planalto.

Resta saber quem poderá votar. Mendonça, Nunes Marques, Fux, Moraes e Toffoli foram citados por Vorcari. Se eles se declararem impedidos, sobrarão Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Como juiz de fora, Edson Fachin não poderá se valer dos votos dos ministros aposentados, os quais deverão participar da sessão. Sem quórum qualificado, o presidente promete usar o VAR sempre que tiver dúvida. Ou seja, deve paralisar a partida a cada cinco minutos. Isso se não houver pedidos simultâneos de vistas antes mesmo de o árbitro principal trilar o apito iniciando a peleja. Sem mais delongas, é o dia D, em que os amigos da onça pintada levarão o felino para experimentar a força ou a fraqueza dos predadores do Cerrado.

Que vençam os melhores. Opa! Perdão pelo lapso. Que vençam os menos ruins. Como defensor da imparcialidade e simpatizante público do time da verdade absoluta, torço por uma vitória de goleada dos interesses do Brasil, consequentemente pela derrota de projetos pessoais. Embora esteja concentrado desde ontem (14) à tarde, temo que, por falta de segurança no “estádio”, com ou sem vistas, a partida entre sujos e esfarrapados não seja sequer iniciada. Haja o que houver, o Brasil e, principalmente, os brasileiros precisam saber quem é quem nesse vale tudo pelo controle político do país.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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