O plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou nesta terça-feira (15) o que as paredes da Corte e toda a população isenta do Brasil já sabiam. O STF virou Casa de Mãe Joana, comandada por um soldado da polícia. O barraco de agora é a prova inconteste de que nenhum dos ministros é santo, mas que alguns pensam e agem travestidos com a roupagem do rabudo. Independentemente da gravidade das denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e das ações supostamente tendenciosas do ministro André Mendonça, o Pleno do STF decidiu manter os julgamentos em separado.
Por conta do perfil de Papai Noel do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a quem caberá desempatar o resultado em favor de Mendonça, Flávio Dino pediu vistas, o que deverá acirrar ainda mais o embate ao longo desta e da próxima semana. Na verdade, a suposta paz de Fachin ajudará o Tribunal a sangrar até que seus membros decidam quem são os ministros bons e os ruins e quais deles têm mais ou menos a língua e o rabo presos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Além do próprio, votaram com Moraes Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia fecharam com André Mendonça.
Como diz um amigo especialista em assuntos do STF, o desastroso desfecho da sessão lembra o 7 a 1 da Alemanha contra o Brasil na Copa de 2014. O mais relevante dos debates entre alguns dos ministros favoráveis e contra Moraes foi a reação da mídia que não esconde a preferência por uma candidatura presidencial e, portanto, por determinado desfecho do julgamento em curso no STF. Entre as muitas emissoras que se encaixam nesse óbvio perfil, está a Globo News, que parece decidida a repetir o escândalo das eleições de 1989, quando a Rede Globo manipulou um debate e claramente favoreceu o adversário de Lula da Silva, Fernando Collor de Mello.
Como se fossem juristas do tipo “pixuleco”, os repórteres e comentaristas do canal pago do Grupo Globo se uniram ferozmente contra os posicionamentos dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino, ambos a favor de que o julgamento de Moraes e de André Mendonça ocorresse conjuntamente. Em campo neutro, cheguei a achar que a Globo News entende que, em julgamentos do pleno, determinados ministros não têm voz, principalmente os que tendem a se manifestar contrariamente a seus editoriais favoráveis a uma das candidaturas.
Curiosamente, é a mesma candidatura que, em 2018, ameaçou cassar a concessão da emissora principal. Travestida de juristas pixulecos, a equipe global estava fora do plenário. Se estivesse dentro, provavelmente os dois ministros mais contundentes teriam sido admoestados publicamente pela turma do Plim Plim. Tudo porque Gilmar e Flávio Dino criticaram veementemente a forma e o tempo estabelecidos por André Mendonça para expor o colega Alexandre de Moraes.
Não me lembro de ter ouvido os dois ministros isentando Moraes de culpa. As críticas se limitaram à divulgação das conversas de Moraes com Vorcaro justamente no período eleitoral, o que levou Gilmar Mendes a acusar formalmente Mendonça de estar agindo eleitoralmente. Segundo o decano da Corte, o recorte dos numerosos diálogos entre o ministro e o ex-banqueiro “é um relatório encomendado”.
Como se estivessem sustentando no púlpito do plenário, os jornalistas e comentaristas da Globo News rebateram todas as acusações de Mendes e de Dino. E sustentaram a favor de André Mendonça de cara limpa e convictos de que estavam cobertos de razão. Primeiro, não é função de jornalistas defender e acusar alguém. Se acham isso normal, que assumam e vistam de uma vez a camiseta contra Lula da Silva, como fizeram por ocasião da divulgação da pesquisa em que Flávio Bolsonaro vence Lula no segundo turno por dois pontos percentuais.
Em tempo, a pesquisa era do Instituto Quaest, sob encomenda do jornal O Globo. Voltando ao que interessa, eu também tenho todas as dúvidas em relação à inocência de Alexandre de Moraes. No entanto, não me acho no direito de condená-lo antes da conclusão do julgamento. As suspeitas contra André Mendonça são tão cabeludas como as de Moraes. Então, por que só querem a rosquinha do careca? Por mais que a Globo News e suas similares não aceitem, o que os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino tentaram mostrar ao país e ao mundo é singular: “Pau que dá em Chico dá em Francisco”. De modo que as eleições transcorram sem as tendências do Judiciário, a vista de Flávio Dino deve se perder das vistas. Ponto final
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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

