Vida é aquele beijo lento de despedida
ao qual nos agarramos, sem deixá-lo terminar.
Não é o primeiro, nem o último
é o beijo que acontece enquanto o mundo continua,
enquanto as mãos ainda sabem o caminho uma da outra,
enquanto o peito ainda não decidiu se chora ou se ri.
É um abraço de alegria e dor
que não escolhe lado.
Aperta forte o suficiente
para deixar marca
e solto o suficiente
para que a gente continue andando.
Destinado à jornada eterna
de ir e vir,
de partir sem ir embora de verdade,
de voltar já sendo outro.
E nós, teimosos,
ficamos ali no meio do beijo,
segurando a respiração,
fingindo que o tempo
também está apaixonado demais
para terminar.

