Excelência que envenena colegas deve ter o seu antídoto

Redação
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Mathuzalém Júnior, Foto de Arquivo

Frase célebre, impagável e imortal do também imortal Apparício Torelly, o Barão de Itararé, pior do que mudar de ideia é não ter ideias para mudar é autoaplicável para determinados ministros do enxovalhado, esculhambado e apequenado Supremo Tribunal Federal. Usando mais uma deixa do Barão, diria que, entre os determinados magistrados, há um que, em nome do “Dark Horse”, isto é, o azarão, cujo tambor faz muito barulho, mas é absolutamente vazio por dentro, achou que ganharia sozinho, mas acabou na mesma berlinda do opositor.

Sem coragem para enfrentar e expor o “mestre”, a referida excelência elevou a crise, custeou a credulidade da maioria dos brasileiros e, embora não tenha assumido, deu causa à extrema falta de credibilidade da mais alta Corte de Justiça do país. É claro que não há como esconder a outra excelência debaixo do tapete. Pelo contrário. Diante de indícios claros de relação indevida com Daniel Vorcaro, ela tem de pagar como qualquer cidadão que tenha se insurgido contra as leis vigentes. No entanto, conforme pesquisas de opinião, 37% dos entrevistados defendem seu impeachment, 3% a mais do que seu primitivo objetivo.

Ou seja, deve experimentar do próprio veneno. Como antecipei aqui mesmo em Notibras, na verdade o episódio foi neurastenicamente potenciado justamente porque o roto decidiu divulgar os malfeitos do esfarrapado. Deu no que deu. E ficará pior, inclusive para o sujo. Portanto, a encruzilhada não tem retorno. Se o STF quiser voltar a ser grande, será preciso cortar na própria carne, sob pena de o suposto guardião da Constituição Federal ser comprovadamente acusado de flagrantemente violá-la. Na falta de expectativas positivas, oremos.

Aprendi com Apparício Torelly que negociata é um bom negócio para o qual nós, os mortais, não somos convidados. Entretanto, mesmo de fora, é fácil perceber quando as negociações fazem água e levam na mesma corrente a instituição dos negociadores. O mais incômodo dessa triste e nefasta história de supostamente sisudos conchavos políticos no Poder Judiciário é a certeza de que o sigilo das investigações do Banco Master e de Daniel Vorcaro virou instrumento de suspeita.

Por conta dos acertos relativos ao sigilo do financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse” e seus mentores, incluindo Vorcaro e o presidenciável Flávio Bolsonaro, ficaram empacados na pista. As perguntas que não querem calar são simples: Por que o senador Flávio Bolsonaro, investigado pelo STF há cerca de três meses, só apareceu agora na linha de frente do processo? Por que o relator da ação escondeu da sociedade a dinheirama liberada para financiar o filme, incluindo recursos decorrentes de emendas parlamentares desviadas?

Os áudios envolvendo as três excelências em xeque, mais Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, foram, são e serão determinantes para a conclusão do processo. O povo brasileiro espera que ela seja sábia, sem emoções e sem paixões. Atinja a quem atingir, sufoque a quem tiver de sufocar, mas o comando da Corte Suprema terá de ter coragem para enfrentar a crise sem manobras, sem cálculos políticos e, principalmente, sem bodes expiatórios. O comando do STF tentou ficar bem com Deus e o mundo. Todavia, a profusão de ofícios e a revisão diária de posicionamentos têm aumentado o sangramento público, consequentemente as fraturas expostas da instituição.

Independentemente de a maioria dos 160 milhões de eleitores brasileiros já ter fechado questão em relação ao voto para presidente da República, é um dever do Estado exigir o cumprimento da lei, quebrar todo o sigilo do Master e informar à população da direita, da esquerda e do centro os CPFs e identidades de todos os culpados pelo escândalo. De modo a evitar que, mesmo sem sela, “Dark Horse” fuja a galope, é preciso dar nome aos bois. Afinal, quem pensou em fazer o cavalo sorrir tem a obrigação de também vê-lo chorar.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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