Se Deus é por nós, quem será contra nós? Hoje, além dos políticos brasileiros, só os ministros do Supremo Tribunal Federal. Nem o cafetão Daniel Vorcaro, o homem de mil e uma utilidades, inclusive a de promotor de suruba entre nobres, é tão pendular como as autoridades plenas do STF. Aproveitando o latinismo comumente utilizado pelos proprietários das 11 cadeiras do plenário da Corte (atualmente são apenas dez), Quo Vadis, Supremo Tribunal de Edson Fachin, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Dias Toffoli?
A expressão em latim significa literalmente para onde vais? Não estará de todo errado aquele que responder a lugar nenhum. Noite passada, após um vadio e vorcariano dia, me recolhi mais cedo para vibrar com mais uma vitória do Flamengo. Dormi achando que o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin, finalmente havia decidido deliberar sobre o que não queria decidir. Acordei com a notícia de que ele, o chefe do Poder Judiciário, decidiu, provavelmente na madrugada, que não decidiria o que prometera decidir.
Após gerar manchetes positivas e alentadoras, Fachin assustadoramente recuou. Em síntese, assegurou que a raposa chamada André Mendonça continuasse dominando o galinheiro. Convictos de que o presidente do STF levantou a bola dos sigilos para o parça Mendonça cortar, atentos e preocupados integrantes da Corte ameaçaram debater “podres” de colegas caso só Alexandre de Moraes fosse julgado na sessão especial da próxima terça-feira (15). Recado dado, recado entendido, recado atendido, mas só após intervenção da Procuradoria-Geral da República.
Ou seja, ao autorizar a seletividade de Mendonça entre Moraes e “Dark Horse”, Edson Fachin, em parte, virou as costas para os 13 homens de ouro que assinaram uma carta em apoio a qualquer proposta que pudesse significar o fim da histórica e inédita crise da Corte Suprema. Soltar o barbantinho cheiroso no plenário foi a senha para que Fachin recolocasse os deuses do STF no mesmo balaio. O ministro entendeu que a fedentina extrapolaria as paredes do palácio do Poder Judiciário. Seria algo como tirar a tramela da porta do edifício e lavar a roupa suja da cuja no meio da Praça dos Três Poderes.
Deus acima de tudo e de todos está entre nós. Para evitar um novo escândalo, Ele me defenderá e a todos os brasileiros que precisam acreditar em alguma coisa ou em alguém. Por enquanto, falta uma razão para André Mendonça ter mantido o sigilo do inquérito no caso “Dark Horse”. Sobre os “podres”, podres divulgados e saberíamos todos que Mendonça adora Flávio, que ama Fux, que ama Nunes Marques, que simpatiza com Edson, que não decide nada, mas que prefere tirar o Fachin da reta quando percebe que seu nome está na boca de matildes.
Na prática, de toga ou de pijama, no cafezinho com queijo brie sem lactose ou no juristur, ali ninguém ama ninguém. Poucos têm certeza, mas, na fila do bandejão do meio-dia, muitos desconfiam de que alguns só se engolem. Se o vento não virar, até terça-feira o STF estará no ar 24 horas. As excelências empurradas para o olho do furacão certamente dormirão acordadas. E de toga para garantir a imunidade. Alguns temem pela carta que Moraes pode ter na manga. Na despudorada expectativa por dias melhores e menos sombrios, tenho pensado naqueles que devem alguma coisa ao Daniel Vorcaro. Coitados!
O irmãozinho pode ser fatal para Deus para os que estão ocupados em descobrir somente os defeitos alheios. Moraes, Mendonça, Toffoli que se cuidem. Quanto ao “Dark Horse”, não adiantou esconder. Fora dos limites das teias de Vorcaro, Flávio Dino, o gordinho mais amado da Esplanada dos Ministérios e adjacências, está de olho nas notas frias do deputado Mário Frias, aquele que saiu da “Malhação” com a impressão de que morreria sob a proteção do clã do capitão. Aos amiguinhos do Vorcarinho, vale lembrar uma citação do Marquês de Marica, para quem a vida tem só uma entrada. Já a saída é por 100 portas.
……….
Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

