Saúde mental vira bandeira de Gabriela Freire

Redação
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Pimenta Filho, Foto Divulgação

Aos 14 anos, Gabriela Freire perdeu a mãe para o suicídio. A experiência marcou sua adolescência, antecipou responsabilidades dentro de casa e, anos depois, passou a influenciar uma das bandeiras que ela leva para a vida pública: a saúde mental.

Advogada e candidata a deputada distrital pelo Avante, Gabriela defende que a prevenção ao suicídio seja tratada de forma permanente pelo poder público, e não apenas em campanhas pontuais. O tema ganhou destaque na quinta-feira, 10, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, com mobilização organizada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e apoiada pela Organização Mundial da Saúde.

“Perder minha mãe para o suicídio mudou para sempre a forma como eu olho para as pessoas e para dores que muitas vezes são enfrentadas em silêncio. Precisamos falar sobre prevenção, mas também garantir que quem procura ajuda encontre atendimento, acompanhamento e uma rede preparada para acolher”, afirma Gabriela.

A dimensão do problema reforça a necessidade do debate. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. A OMS também informa que, em 2021, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.

No Brasil, documento do governo federal baseado em dados do Datasus e referências da OMS estima cerca de 14 mil mortes por suicídio por ano, uma média de aproximadamente 38 por dia. O mesmo levantamento mostra que o número de óbitos no país passou de 6.750, em 2000, para 14.308, em 2021.

O cenário entre os mais jovens também acendeu um novo alerta. Estudo divulgado em maio deste ano pela Organização Pan-Americana da Saúde mostrou que a taxa de mortalidade por suicídio entre pessoas de 10 a 24 anos nas Américas aumentou 38% entre 2000 e 2021. Em 2021, foram 18.157 mortes nessa faixa etária, e o suicídio permaneceu como a terceira causa de morte entre jovens de 10 a 24 anos na região.

Para Gabriela, os dados reforçam a necessidade de uma política que consiga atuar antes que o sofrimento chegue a uma situação extrema. “Saúde mental não pode ser lembrada apenas quando alguém entra em crise. É preciso reconhecer os sinais, facilitar o acesso ao atendimento e acompanhar essa pessoa durante todo o processo”, diz.

Entre as medidas que a candidata pretende defender está a ampliação e a reorganização da rede de Centros de Atenção Psicossocial no Distrito Federal, com atenção à distribuição territorial dos serviços. Ela também propõe fortalecer a abordagem da saúde mental nas Unidades Básicas de Saúde, com protocolos de identificação de pessoas em sofrimento e encaminhamento para atendimento especializado.

A agenda inclui ainda ações preventivas em escolas, com preparação das equipes para reconhecer sinais de sofrimento emocional e acionar a rede de atendimento quando necessário.

A preocupação com os jovens encontra respaldo nas recomendações apresentadas pela OPAS em seu estudo mais recente. Ao divulgar o crescimento dos casos nas Américas, a organização defendeu intervenções precoces, maior acesso aos serviços de saúde mental e estratégias de prevenção adaptadas a crianças, adolescentes e jovens adultos.

Outro ponto defendido por Gabriela é a continuidade do atendimento após uma tentativa de suicídio.

“Uma pessoa não deixa de precisar de atenção porque saiu de uma emergência. É fundamental que exista continuidade, orientação para a família e acompanhamento para reduzir o risco de uma nova tentativa.”

A preocupação é compatível com a orientação da OMS, que aponta uma tentativa anterior de suicídio como um importante fator de risco e recomenda acompanhamento adequado de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Gabriela também defende maior articulação do poder público com iniciativas de apoio emocional, como o Centro de Valorização da Vida, sem substituir a responsabilidade da rede de saúde pela assistência especializada.

“Eu conheço o impacto que uma perda assim deixa dentro de uma família. Por isso, quando falo de saúde mental, não estou falando de algo distante da minha realidade. Estou falando de pessoas que podem ser alcançadas antes que seja tarde”, afirma.

Neste ano, a campanha internacional do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio mantém o tema “Changing the Narrative on Suicide”, em tradução livre, “Mudar a narrativa sobre o suicídio”, adotado para o período de 2024 a 2026. Segundo a OMS, a iniciativa busca reduzir o estigma, estimular conversas responsáveis sobre o tema e ampliar sua presença nas políticas públicas.

Para Gabriela, transformar uma experiência pessoal em atuação pública significa garantir que um pedido de ajuda encontre resposta.

“Nem sempre quem está sofrendo consegue pedir ajuda mais de uma vez. Quando essa pessoa procura o serviço público, a rede precisa estar pronta para recebê-la e continuar perto dela.”

A saúde mental integra uma agenda mais ampla defendida por Gabriela Freire para o Distrito Federal. Entre suas outras prioridades estão:

* Mulheres: enfrentamento à violência doméstica, autonomia e proteção, com atenção também às mães atípicas;

* Segurança pública: valorização das corporações, melhores condições de atuação e fiscalização das políticas da área;

* Educação: estrutura das escolas, valorização dos profissionais e proteção de crianças e adolescentes;

* Saúde: fiscalização da rede pública e melhoria do acesso aos serviços;

* Esporte: incentivo à prática esportiva como instrumento de disciplina, inclusão e desenvolvimento social;

* Trabalho e empreendedorismo: atenção a pequenos comerciantes, feirantes, ambulantes e trabalhadores do Distrito Federal;

* Família e infância: políticas de proteção e desenvolvimento das novas gerações.

Gabriela já afirmou publicamente que pretende dar atenção especial às mulheres que enfrentam violência, às mães atípicas e às que precisam de suporte para reconstruir suas vidas.

Também declarou que o esporte será uma das áreas de sua atuação, citando sua própria experiência como atleta e o potencial da atividade esportiva para disciplina e inclusão.

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