O Banco de Brasília já tem problemas demais para precisar de cabo eleitoral segurando a pá. Pior ainda quando esse coveiro é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que usa de impropérios para atacar a governadora Celina Leão (PP) e o cidadão brasiliense, como se fôssemos estrangeiros circulando pelos eixos, entrequadras e olhando, embora de longe, o suntuoso palácio que abriga o chefe do governo, quando de lá ele sai para soltar sua verborragia. Finalmente, Lula foi, de uma só vez, misógino e xenófobo.
Afundado numa crise bilionária produzida pelas operações com o Banco Master, investigado, espremido entre o Banco Central, o Fundo Garantidor de Créditos, o Governo do Distrito Federal e o Supremo Tribunal Federal, o BRB ganhou agora, às vésperas da eleição, um cabo eleitoral vestido de vermelho, ingrediente que nenhum balanço contábil consegue provisionar. E Lula resolveu jogar gasolina nesse cofre.
Em comício realizado na quarta-feira, 16, em Ceilândia, Lula abandonou qualquer cerimônia institucional para atacar a governadora Celina Leão. Chamou-a de “cínica e mentirosa”, responsabilizou a antiga administração do Distrito Federal pela crise do banco e anunciou que “nós não vamos deixar o povo sem dinheiro, mas não vamos dar dinheiro para o BRB”.
A frase é politicamente explosiva porque foi pronunciada não no Palácio do Planalto, numa reunião técnica do Ministério da Fazenda ou diante dos responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro. Foi dita num palanque eleitoral, em ato onde Lula pediu votos para Leandro Grass, candidato do PT ao Governo do Distrito Federal.
O discurso deixou de ser apenas uma manifestação sobre responsabilidade fiscal e passou a produzir uma pergunta inevitável, do tipo onde termina o presidente da República e começa o cabo eleitoral?
Celina, a ‘Leoa do Cerrado’ respondeu imediatamente. Disse lamentar “a declaração de um presidente da República que quer quebrar o BRB” e acrescentou uma frase carregada de veneno político: “Eu pensei que ele fosse presidente do Brasil. Pensei também que os brasilienses fossem brasileiros”. Depois acusou Lula de agir como presidente de partido e não como chefe de Estado.
Desta vez deve-se concordar com a governadora, que viu Lula, como quem fala em boteco depois de umas e outras, transformar o BRB em arma eleitoral. E em bar, quando alguém fala o que não deve, é perigosíssimo.
Uma coisa é investigar quem levou o banco à situação atual. Que se investigue até o último centavo. Se houve fraude, corrupção, gestão temerária ou qualquer outro crime, que os responsáveis respondam individualmente, com nome, CPF e endereço. Muito diferente disso é transformar a sobrevivência de uma instituição financeira controlada pelo Distrito Federal numa espécie de refém do palanque.
Todos sabemos que o BRB não pertence a Celina, não pertenceu a Ibaneis e muito menos pertence a Lula e – é a torcida da grande maioria dos brasilienses – não pertencerá a Leandro Grass. Porque o banco pertence majoritariamente ao Distrito Federal e sua crise atinge empregados, correntistas, acionistas, fornecedores e políticas públicas associadas à instituição.
Convém também separar discurso de realidade financeira. O que está em discussão não é simplesmente Lula abrir uma gaveta do Planalto, retirar R$ 6,6 bilhões e entregar um cheque ao BRB. O GDF busca viabilizar uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos. A disputa chegou novamente ao STF porque o governo local pretende obter garantia da União para a operação. O ministro Luiz Fux deu prazo para União, Banco Central e FGC se manifestarem.
Portanto, quando Lula proclama diante da multidão que “não vamos dar dinheiro para o BRB”, simplifica uma engenharia financeira muito mais complicada até caber no tamanho de um slogan eleitoral. Ele demonstra que não dá ouvidos a um ministro do Supremo, o que é compreensível num comício, mas preocupante na boca de quem ocupa a Presidência da República.
Mais grave ainda porque existe um candidato do partido presidencial disputando justamente o governo responsável pelo controle do banco. Isso basta como prova de uma conspiração para quebrar o BRB e entregar o Palácio do Buriti a Leandro Grass. A fala de Lula oferece combustível suficiente para que adversários questionem se decisões envolvendo uma instituição financeira pública estão sendo contaminadas pela disputa eleitoral.
Essa é uma questão tóxica, porque anco vive de dinheiro, naturalmente. Mas vive sobretudo de confiança. Uma frase mal colocada, como a de Lula, pode embriagar também o eleitor e produzir mais estragos que uma retroescavadeira estacionada diante de um cofre.
O mais curioso é que Lula poderia ter dito simplesmente que qualquer auxílio dependeria do cumprimento das exigências técnicas, legais e fiscais aplicáveis. Poderia exigir responsabilidades, defender investigações rigorosas, dizer que dinheiro público não será utilizado para cobrir irresponsabilidades privadas ou administrativas.
Seria duro com realidade de um aceno presidencial. Mas Lula preferiu o palanque. E Celina respondeu com outro palanque.
No meio dos dois ficou o BRB, transformado numa bola chutada entre candidatos enquanto funcionários e correntistas observam a partida perguntando quem pagará a conta quando o juiz finalmente apitar.
O que não pode é Brasília receber a conta coletiva apenas porque outubro está chegando. Reitere-se que a Presidência da República não é comitê eleitoral, e, portanto, o Palácio do Planalto não deveria funcionar como extensão de diretório partidário. E Lula precisa saber que banco público não pode ser transformado em cadáver político para que candidatos disputem quem chega primeiro ao velório.
Se Lula acredita que a operação pretendida pelo GDF é juridicamente impossível, fiscalmente irresponsável ou financeiramente temerária, que seu governo apresente os argumentos técnicos. Se Celina acredita que existe perseguição política contra o BRB, ela acaba de apresentar as provas ao responder ao presidente.
O que não serve é substituir documentos por adjetivos, como “cínica”, “mentirosa.” Lula deixou cair máscara. Ele pretende, sim, deixar que o BRB quebre. Quer destruí-lo. Seu repugnante discurso no ato da campanha de Grass veio carregado de vocabulário pode render aplausos de militantes, mas não recompõe patrimônio de banco algum.
Após as manifestações de Lula e a resposta de Celina, restou uma pergunta que Brasília deveria fazer sem camisa vermelha, verde, amarela ou azul: se houver uma solução técnica, juridicamente possível e financeiramente segura para preservar o BRB, ela será analisada como questão de Estado ou como problema eleitoral?
Se a resposta depender da cor da bandeira tremulando no palanque, então Brasília terá um problema muito maior do que os bilhões desaparecidos nos labirintos do Banco Master. O cidadão descobrirá, enfim, que até a torneira do oxigênio financeiro pode entrar na campanha eleitoral. E banco nenhum sobrevive muito tempo quando políticos começam a discutir quem ficará com o cadáver antes mesmo de os médicos terminarem a cirurgia.
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José Seabra é CEO fundador de Notibras


Ué, jurava que quem quis comprar o Master foram o Ibaneis Rocha e a Celina Leão. Por que o Lula teria que colocar dinheiro publico para salvar o BRB?
O que o povo de Brasília e o BRB têm a ver com isso? Lula está errado em não ajudar a instituição, prejudicando o povo de Brasília. Só porque aqui ele não tem votos para reeleição? Me poupe, por isso esse País está do jeito que está, cada um pensando no seu, enquanto o povo se lasca!!!
Este NOTIBRAS não mudou nada, sempre distorcendo os fatos, criando narrativas para beneficiar os bandidos. Quem afundou o BRB não foi só o MASTER, mas especialmente o GOVERNO do DF, leias IBANES, Celina e outros mais. Só tem um preso, ex presidente do BRB, os demais se apresentam como vítimas e o NOTIBRAS faz seu papel sujo, querer culpar o Governo LULA. Sem carater este JOSÉ SEABRA.