O BRB atravessa definitivamente a fronteira entre a crise financeira do Distrito Federal e a campanha eleitoral. O movimento mais importante desde o fechamento de ontem ocorreu em Ceilândia, onde Lula participou de ato de Leandro Grass, responsabilizou politicamente o ex-governador Ibaneis Rocha pela situação do banco e afirmou que o governo federal não colocará dinheiro no BRB. Celina Leão respondeu ainda durante a noite, acusando o presidente de agir politicamente contra a instituição e contra o Distrito Federal.
É uma mudança relevante de temperatura. O BRB já estava na eleição, mas agora passa a conectar diretamente a disputa pelo Buriti à campanha presidencial. Lula entra no assunto, Celina responde e Grass ganha um palanque nacional para explorar a crise. Ao mesmo tempo, é necessário separar confronto político de responsabilização jurídica: as afirmações sobre Ibaneis são acusações feitas pelo presidente em ambiente eleitoral e devem ser tratadas dessa maneira.
O movimento acontece apenas um dia depois de Celina ter sido confrontada com mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, segundo as quais ela teria participado das negociações relacionadas à tentativa de aquisição do Master. A governadora nega participação, afirma nunca ter mantido contato com Vorcaro e sustenta que sempre foi contrária à operação. Em menos de 48 horas, portanto, o BRB deixou de ser apenas um passivo administrativo da campanha e passou a alcançar diretamente seus principais personagens.
Fora desse eixo, a quinta-feira traz avanço dos preparativos eleitorais, intensificação das agendas dos candidatos nas regiões administrativas, 1.228 vagas de emprego, serviços da Defensoria para estudantes do ensino especial e nova operação de atendimento à população em situação de rua.
Lula utilizou o ato de campanha de Leandro Grass, ontem à noite em Ceilândia, para entrar diretamente na crise do BRB. O presidente responsabilizou Ibaneis Rocha pela situação do banco, relacionou politicamente o ex-governador a Daniel Vorcaro e afirmou que o governo federal não colocará dinheiro no BRB.
Celina reagiu ainda durante a noite. A governadora acusou Lula de agir como dirigente partidário e afirmou que a declaração presidencial prejudica o banco e o Distrito Federal.
A novidade está menos no conteúdo das críticas do que no tamanho dos personagens que agora assumem o confronto. O problema do BRB deixa de circular apenas entre governo local, oposição, investigações e órgãos de controle e chega diretamente à disputa presidencial.
Há um cuidado necessário: não existe, até o fechamento desta apuração, responsabilização judicial de Ibaneis relacionada ao caso BRB-Master. As declarações de Lula são acusações políticas feitas em um comício e devem permanecer atribuídas ao presidente.
A sequência dos últimos dias começa a produzir um desenho diferente. Primeiro vieram os afastamentos cautelares de cinco funcionários ligados às operações com o Master, entre eles dois ex-diretores. Depois, mensagens atribuídas a Vorcaro colocaram em discussão a versão de Celina de que teria ficado fora das negociações para a aquisição do banco. Agora Lula leva Ibaneis para o centro do confronto e recebe como resposta uma reação direta da governadora.
O BRB passa, assim, a carregar simultaneamente problemas financeiros, administrativos, investigativos e eleitorais.
A velocidade da campanha tende a tornar essa mistura ainda mais delicada. Investigações precisam de tempo para estabelecer responsabilidades. Eleições não esperam esse tempo. Até que documentos, depoimentos e decisões permitam separar com maior segurança fatos de acusações, o espaço político será preenchido pelas versões dos adversários.
O ato realizado na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, marcou a participação mais direta de Lula na campanha de Leandro Grass ao Governo do Distrito Federal.
Além do presidente e de Grass, participaram lideranças da aliança local, entre elas Erika Kokay, Leila Barros e Agnelo Queiroz. O discurso combinou temas nacionais, críticas aos adversários e defesa das candidaturas da coligação no DF.
Para Grass, o objetivo é bastante claro: aproximar sua candidatura da força eleitoral de Lula no Distrito Federal e tentar ampliar espaço numa disputa em que Celina Leão permanece à frente e José Roberto Arruda continua ocupando parcela relevante do eleitorado.
O efeito do movimento não deve ser antecipado. Será possível medi-lo apenas quando novos levantamentos captarem o período posterior à entrada mais intensa do presidente na campanha local.

