A três semanas do primeiro turno, a corrida pelo Palácio do Planalto ganhou nesta segunda-feira, 14, um ingrediente que aumenta ainda mais a temperatura da campanha. Pesquisa Quaest mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece com 40%.
É a fotografia de uma virada numérica, embora ainda não seja possível falar estatisticamente em liderança isolada do candidato do PL. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, Flávio e Lula permanecem tecnicamente empatados.
Brancos e nulos — incluídos os entrevistados que dizem não votar — representam 13%. Outros 5% ainda estão indecisos.
Mais importante do que os dois pontos que agora separam os principais adversários, porém, é observar o movimento registrado pela Quaest ao longo dos últimos meses. A distância que favorecia Lula foi sendo consumida gradualmente, até desaparecer.
Na pesquisa divulgada em 7 de setembro, Lula e Flávio estavam numericamente empatados, com 41% para cada um. Na rodada anterior, do início do mês, o presidente aparecia com 42%, contra 41% do senador. Agora, pela primeira vez nesta sequência recente, Flávio surge dois pontos à frente.
A curva ganha peso político porque a campanha entra em sua reta decisiva. Se a diferença permanece insuficiente para apontar estatisticamente um vencedor, a movimentação dos números indica uma eleição cada vez mais apertada e aumenta a pressão sobre as estratégias das duas campanhas.
Para o Palácio do Planalto, o sinal amarelo está aceso. Lula, que durante boa parte da pré-campanha sustentou vantagem sobre os adversários nas simulações de segundo turno, chega às últimas semanas antes da votação diante de um adversário que conseguiu encostar e, numericamente, ultrapassá-lo.
Para Flávio Bolsonaro, o resultado oferece combustível político. A campanha poderá explorar a pesquisa como demonstração de crescimento e como argumento para tentar consolidar o voto oposicionista em torno de seu nome.
É necessário, contudo, separar discurso eleitoral de estatística. Os 42% de Flávio contra 40% de Lula não permitem afirmar que o senador esteja efetivamente na liderança. Considerada a margem de erro de dois pontos, os intervalos dos dois candidatos se sobrepõem. O cenário, portanto, continua sendo de empate técnico.
A pesquisa também reforça outra característica da eleição: a polarização. Lula e Flávio concentram a disputa e deixam relativamente pouco espaço para movimentações em uma eventual segunda rodada. Ainda assim, os 13% de votos brancos e nulos e os 5% de indecisos representam uma parcela do eleitorado capaz de decidir uma eleição que, pelos números atuais, promete ser resolvida no detalhe.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de setembro, por meio de entrevistas presenciais realizadas nos domicílios dos participantes. A margem de erro é de aproximadamente dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento, contratado pela Globo, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026.
A fotografia desta segunda-feira não entrega a faixa presidencial a ninguém. Mas mostra algo politicamente relevante: a vantagem que Lula carregou em momentos anteriores desapareceu, e Flávio Bolsonaro entra na reta final da campanha em condições de disputar voto a voto com o presidente.
Se a tendência permanecer até outubro, a eleição presidencial poderá chegar ao segundo turno praticamente sem favorito — e com cada voto valendo muito mais do que sugerem apenas dois pontos de diferença numa pesquisa.
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Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras

