A Procuradoria-Geral do Distrito Federal pediu ao Supremo o rastreamento, bloqueio e devolução ao BRB de até R$ 12,2 bilhões relacionados às operações realizadas com o Banco Master. O pedido havia sido protocolado em agosto, mas só se tornou público no fim de semana, depois da liberação de peças das investigações.
A PGDF sustenta que os valores podem ter origem em operações fraudulentas praticadas contra o BRB e quer que recursos ainda localizáveis sejam bloqueados e depositados judicialmente.
O movimento altera parcialmente a leitura da crise. Até agora, o debate vinha sendo dominado pela necessidade de encontrar dinheiro para recompor o capital do BRB. A partir daqui, surge também uma tentativa de recuperar recursos que o próprio governo considera indevidamente retirados do banco.
Não significa que os R$ 12,2 bilhões estejam disponíveis ou que possam ser imediatamente recuperados. Trata-se de uma pretensão judicial que ainda dependerá de rastreamento, identificação patrimonial e decisão do Supremo.
O material tornado público também ajuda a revelar a dimensão das operações realizadas entre BRB e Master, mas não autoriza ainda uma conta definitiva sobre perdas.
Existem diferentes cifras associadas às carteiras compradas, aos ativos questionados e ao prejuízo estimado pelas investigações. Parte desse material ainda precisa ser submetida a perícia, análise contábil e eventual recuperação.
Por isso, o ponto mais importante neste momento não é escolher um número e tratá-lo como definitivo, mas reconhecer que a fotografia patrimonial do problema continua incompleta.
Para o BRB, isso mantém duas frentes simultâneas: descobrir exatamente quanto perdeu e tentar recuperar aquilo que ainda for possível.

