Se Donald Trump aceitar logo a vitória de Lula, vai dor muito menos

Redação
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Sonja Tavares - Foto de Arquivo

Diferente de todos os presidentes de nações apresentadas como democráticas, o republicano Donald Trump até hoje (02) não se dignou a parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória sobre o extremista Flávio Bolsonaro. Nada de anormal para um mandatário que conspira contra si mesmo 24 horas por dia. Normal seria ele reconhecer que as urnas brasileiras são invioláveis e que Lula venceu, soberana e democraticamente, por uma expressiva margem de votos. Com certeza, enquanto for vivo, isso ele jamais fará.

Não adianta provar a Trump que não há qualquer indício de fraude no resultado. Lula ganhou com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de quase 4,5 milhões de votos. Informá-lo que o Tribunal Superior Eleitoral, comandado por dois ministros terrivelmente bolsonaristas, atestou a lisura das eleições também é irrelevante. Portanto, deixemo-lo com suas melancólicas e familiares utopias. O tempo dirá quem tem razão.

Um dia talvez ele se dê conta do tempo que perdeu buscando chifres em cabeças onde abunda inteligência, fé, sabedoria política e compromisso com o povo. Bajulado por figuras despojadas de qualquer senso de coletividade, entre eles Javier ilei, o líder estadunidense, passados dois anos de sua posse para o segundo mandato, na falta do que fazer em benefício da sociedade norte-americana e para reduzir a aversão do mundo à sua figura, passa boa parte de seus dias procurando pretextos para assumir o controle governamental e subjugar nações presididas por gestores medrosos, relapsos ou entreguistas.

No caso do Brasil, país em que a soberania e a democracia são conceitos jamais negociados pelo presidente reeleito Lula da Silva, resta a Donald Trump dormir sem fechar os olhos ou sonhar acordado com seus mísseis explodindo na Praça dos Três Poderes. Enquanto lhe sobra poder, mas falta argumentos capazes de sustentar qualquer ação mais radical contra os brasileiros, o mandatário dos EUA segue criando factoides ou inventando histórias para desestabilizar o governo que ele ainda não conseguiu vencer.

A última insanidade foi, na esteira das críticas do candidato derrotado por Lula ao resultado oficial do pleito deste ano, informar, sem provas, que as eleições “parecem ter sido fraudadas”. Não foram, não serão anuladas e, mesmo contra sua vontade, a chapa vencedora subirá ao degrau mais alto do podium eleitoral na data previamente acertada com o Congresso Nacional.  Reitero que o gesto de Trump não é novidade.

Para quem não se lembra, o presidente norte-americano fez o que pôde para evitar a vitória do líder do PT. Sem precedentes, a lista de ações recentes dos EUA com o objetivo de interferir política ou eleitoralmente no Brasil é extensa. Além de recentes e explícitos acenos positivos à família Bolsonaro, o republicano e seus principais auxiliares anunciaram um fundo anti-STF de um milhão de dólares liberado a apenas cinco dias do primeiro turno da eleição de 2026.

Antes, o governo dos EUA havia imposto tarifas escorchantes às exportações brasileiras, feito comentários públicos contrários à índole de Lula e designado como facções criminosas o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital. Todas essas ações foram tão inócuas que Lula da Silva alcançou seu quarto mandato presidencial com apoio maciço dos brasileiros contrários à tirania demagógica e desconexa. A exemplo de dezenas de outros presidentes, Donald Trump deveria se render ao óbvio e reconhecer de uma vez a vitória de Lula lá. Independentemente da linha ideológica, aceitar o Brasil como referência da América Latina não é nenhum favor. Aceite que, além de matar a sede e combater o calar, dói menos.

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Sonja Tavares é Editora Política de Notibras

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