“Você precisa.”
Duas palavras capazes de transformar qualquer conversa em reunião de conselho administrativo.
Você precisa descansar.
Precisa casar.
Precisa emagrecer.
Precisa viajar.
Precisa estudar.
Precisa esquecer.
Precisa perdoar.
Precisa seguir em frente.
A sociedade possui uma lista interminável de necessidades para a vida alheia.
O curioso é que quase ninguém pergunta:
“Você quer?”
Talvez seja uma pergunta revolucionária.
Porque necessidade e desejo não são a mesma coisa.
E aquilo que alguém considera essencial pode ser absolutamente irrelevante para outra pessoa.
Foucault nos ensinaria a desconfiar das normas.
Bourdieu nos faria perguntar de onde vieram nossos desejos.
Goffman lembraria que desempenhamos papéis.
E nós, no meio disso tudo, talvez precisemos apenas respirar e perguntar:
“Isso é realmente meu?”
Porque algumas das coisas que perseguimos foram colocadas diante de nós tão cedo que nunca tivemos tempo de perguntar se queríamos.
O casamento.
O cargo.
O corpo.
A casa.
O sucesso.
A aparência.
A produtividade.
A felicidade.
Até a maneira correta de envelhecer.
Talvez liberdade não seja fazer tudo o que queremos.
Talvez seja descobrir quais desejos realmente são nossos.
E quais foram cuidadosamente plantados em nós por uma sociedade que, aparentemente, tem opiniões demais sobre a vida dos outros.
No fim, talvez a frase mais subversiva seja simplesmente:
“Eu vou pensar.”
Porque pensar antes de obedecer já é, em alguma medida, uma pequena desobediência.

