Há amizades que precisam de contato diário.
Outras parecem possuir uma espécie de tecnologia própria.
Você desaparece.
A pessoa desaparece.
A vida acontece.
Três meses depois:
“Amiga, preciso te contar uma coisa.”
E a conversa continua exatamente de onde parou.
Simmel certamente poderia nos ajudar a pensar as formas de sociabilidade que tornam possível essa curiosa manutenção do vínculo mesmo quando a frequência diminui.
Porque amizade não é apenas proximidade.
É reconhecimento.
É memória.
É confiança.
É a certeza de que o outro continua existindo na nossa vida mesmo quando não está diariamente presente.
A sociedade contemporânea, entretanto, transformou frequência em medida de afeto.
Visualizou?
Não respondeu?
Está distante.
Curtiu?
Não curtiu?
Está diferente.
A matemática afetiva das redes sociais é exaustiva.
Mas algumas relações escapam dela.
Há amigos que não precisam de presença constante porque existe algo mais sólido entre eles.
Uma espécie de economia afetiva baseada menos na quantidade e mais na qualidade.
Talvez seja uma das coisas bonitas da amizade adulta.
Nós finalmente entendemos que amar alguém não significa estar disponível vinte e quatro horas.
Às vezes significa simplesmente saber:
“Se eu precisar, essa pessoa atende.”
E, em tempos de excesso de conexões, isso talvez seja uma das formas mais raras de intimidade.

