Curta nossa página


Vidas e letras

Fabiana Saka faz da escuta um caminho entre a clínica e a literatura

Publicado

Autor/Imagem:
Café Literário Especial - acervo pessoal

Fabiana Saka faz aniversário neste 13 de setembro. A data oferece ao Café Literário uma boa oportunidade para celebrar não apenas a escritora e psicóloga, mas também a amiga e colaboradora que encontrou, nas experiências do cotidiano, matéria para construir histórias capazes de entreter, provocar reflexão e, por vezes, ajudar quem as lê.

Nascida no Rio de Janeiro, Fabiana ainda jovem viveu no Japão e trabalhou como operária de fábrica, enfrentando a disciplina rigorosa e a solidão que costumam acompanhar a vida de quem deixa o próprio país. Foi naquele período, distante geográfica e afetivamente de suas referências, que os livros passaram a ocupar um espaço ainda maior em sua vida.

De volta ao Brasil, trabalhou no comércio enquanto cursava Psicologia. Depois da graduação, passou pela área de recursos humanos, especializou-se em Terapia Familiar e mediação de conflitos e, mais tarde, abriu o próprio consultório. Há mais de uma década dedica-se à clínica, exercitando diariamente uma qualidade que também atravessa sua literatura: a capacidade de escutar.

Não se trata, evidentemente, de transportar para a ficção as histórias confidenciais recebidas no consultório. O que Fabiana leva consigo é outra coisa: a compreensão dos conflitos humanos, das inseguranças, das pequenas crueldades e dos mecanismos que criamos para esconder nossas fragilidades. Em seus textos, a experiência profissional aparece transformada pela imaginação, pelo humor e por um olhar atento para aquilo que as pessoas dizem — e, principalmente, para aquilo que tentam ocultar.

Foi desse encontro entre Psicologia e literatura que nasceu As Aventuras de Daniel: não tenha medo de si mesmo, publicado em 2024. O personagem central é um menino inteligente, imaginativo e conhecido por suas travessuras. Na tentativa de conquistar a aprovação dos colegas, Daniel exagera, inventa histórias e acaba afastando justamente aqueles de quem gostaria de se aproximar.

A rejeição obriga o menino a olhar para si mesmo. Com a ajuda da família, da escola e da psicóloga Ana, ele começa a compreender o valor da sinceridade, do respeito e da confiança. A história foi concebida por Fabiana como uma ponte entre crianças, pais, professores e profissionais de Psicologia — pessoas que, embora ocupem posições diferentes, precisam dialogar quando um jovem enfrenta dificuldades.

O livro recebeu o Prêmio Literário Clarice Lispector de 2025. A distinção ajudou a ampliar a visibilidade de uma obra que não deveria permanecer limitada às prateleiras destinadas ao público infantojuvenil. Daniel pode ser lido pelas crianças, mas também tem algo a dizer aos adultos responsáveis por acompanhá-las.

Esse percurso ganhará em breve um novo capítulo. Já disponível na Amazon, As Aventuras de Daniel: eu ajudo em casa coloca o personagem diante de um desafio diferente.

Daniel sempre levou uma vida tranquila, sem grandes responsabilidades, até que sua mãe se machuca e ele precisa colaborar com as tarefas domésticas. Entre dificuldades, aprendizados e pequenas conquistas, descobre o valor da autonomia, da cooperação e do cuidado com a família. Ao dividir a experiência com os amigos e colegas de escola, acaba inspirando uma mudança coletiva e mostrando que atitudes aparentemente simples podem fortalecer vínculos e trazer mais harmonia para o cotidiano.

A nova aventura conserva o princípio que orientou o primeiro livro: tratar de questões importantes sem transformar a narrativa em sermão. Fabiana conhece a distância que existe entre conversar com uma criança e falar para uma criança. Sua literatura procura percorrer justamente esse espaço, oferecendo caminhos sem fingir que existem respostas fáceis para tudo.

No Café Literário, seus contos confirmam outra dimensão de sua escrita. Neles aparecem relações familiares, vaidades, conflitos geracionais, afetos, ressentimentos e personagens que nem sempre percebem a própria participação nos problemas que enfrentam. A psicóloga observa. A escritora reorganiza o que viu e devolve ao leitor uma história.

Fabiana também cultiva o gosto pelo cinema, pelos cafés, pelas viagens, pelos gatos e pelos girassóis. É tutora de Tony, seu companheiro amarelo e branco, e mantém o bom humor mesmo quando escreve sobre aspectos menos agradáveis da natureza humana. Talvez venha daí uma das qualidades mais evidentes de sua presença entre nós: ela sabe tratar com leveza aquilo que não é necessariamente leve.

Neste 13 de setembro, o Café Literário celebra, com gratidão, a vida dessa nossa companheira de letras, Fabiana Saka, e reconhece, sem exageros protocolares, a importância de tê-la entre seus colaboradores.

Fabi, que o novo ano lhe traga boas histórias, novos livros e tempo para continuar fazendo da escuta, da experiência e da imaginação uma literatura cada vez mais sua!

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.