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Idiotas de plantão

Eles falam, inventam, mentem. E nós, povo, não podemos deixar isso passar

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Autor/Imagem:
João Zisman - Texto e Imagem

Sempre tem um. Às vezes, tem até mais de um. Aquele sujeito que acorda antes do sol só pra garantir que vai ser o primeiro a falar bobagem. O tipo que ouviu o galo cantar, não sabe onde, não sabe nem se era mesmo um galo, mas jura que fez até gargarejo com ele antes do bicho abrir o bico. E ainda exige ser levado a sério.

É o idiota de plantão. Não é o bobo simpático do bairro, aquele que só fala besteira no bar. É a versão ampliada e barulhenta, que acha que repetir uma frase com convicção já basta pra ser dono da razão. Confunde desinformação com coragem e faz da ignorância um troféu. Mistura política com boato, mentira com opinião, e termina o dia achando que ajudou o mundo, quando, na verdade, só atrapalhou.

Ele vive no pau de galinheiro. E gosta. Porque não liga pra sujeira. Pelo contrário, parece até que foi feito pra ela. Quanto mais barro, melhor. Aliás, é da lama que ele tira palco. Faz pose, grita, inventa história e espalha espuma como se estivesse vendendo sabão em pó. Mas é o mais barato, aquele que mancha mais do que limpa.

É um personagem sem pé nem cabeça. Tropeça nas próprias ideias, se enrola no que diz e ainda culpa o mundo quando as coisas não fazem sentido. É um idiota completo. Daqueles que nem desconfiam que são idiotas. E talvez por isso mesmo sejam os mais perigosos.

Dostoiévski escreveu que “a beleza salvará o mundo”, na voz do príncipe Míchkin, o idiota mais lúcido da literatura. Mas o nosso personagem aqui não tem nada de belo e muito menos de lúcido. Está mais pra vilão de quinta categoria de um romance ruim, desses que nem Dostoiévski teria paciência de escrever.

Enquanto se tenta discutir coisas sérias, ele grita frase feita. Enquanto se tenta achar um caminho, ele repete vídeo velho como se fosse verdade nova. E quando alguém resolve desmentir, ele faz cara de quem sabe tudo, mesmo sem nunca ter saído do cercado.

Esse idiota não é só um tipo engraçado. É um problema. Porque fala alto, espalha bobagem e ainda pode influenciar quem tá distraído. E o pior é que ele vota. E posta. E se acha um herói por repetir o que ouviu de alguém mais perdido que ele.

O que resta pra gente? Às vezes rir. Às vezes ignorar. Mas nunca deixar passar.

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