Autocriação
ESSE TAL DE “EU”
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O Eu fundamenta tudo pelo fato fundamental: acha que É.
O Eu que pensa e pensando dá sentido a todas as ligações aberrativas que estão na base do que entende por lógica.
O Eu é condição de si mesmo; ele compõe a si mesmo.
O EU é da forma que ele se fez a si mesmo.
O Eu é autocriação.
O Eu gera o Ser, ou seja, não é a ação que vem do Ser, mas ao contrário, é o agir do Eu que define e cria o Ser.
O Ser é o resultado do agir, e quem age inicialmente é o Eu.
O Eu é algo ativo e sem restrições (para o EU) e não algo passivo e restrito ou dependente.
O Eu é o princípio absoluto do qual derivam todas as outras coisas.
O Eu não é o Outro: é fundamentalmente o Eu.
O Eu não pode ficar isolado no mundo, ele precisa de um contraponto, de uma antítese, e como ele se pôs, ele vai criar um Não Eu para se contrapor à sua posição. O Conflito.
O Eu e o Não Eu são ações do Eu; o Não Eu, uma necessidade para que o Eu possa se identificar como tal.
O Confronto.
O Não Eu não está fora do Eu, ele faz parte do Eu, pois nada pode ser pensado fora do Eu.
O ABSOLUTO.
Enquanto isso, na janela da pequena cabana canta um sabiá-laranjeira canta em trina uma canção brejeira de doer o fundo do coração.
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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador que segue travando intensa batalha pessoal com o seu Eu. Vive na Guarda do Embaú, litoral de SC.