Mensagem pós-Natal
Se avexe não, Reguffe; dê o próximo passo sem pressa
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Meu prezado amigo Antônio Reguffe! Escrevo aqui não por mim apenas, mas como se emprestasse a voz de exatas 826 mil 576 consciências que, num dado momento da história recente, decidiram caminhar com você. Não por idolatria — mesmo porque, esse nunca foi o seu estilo —, mas por confiança. Crença rara, dessas que não se pedem em palanque nem se compram em slogan.
Sabemos que questões de foro íntimo pesam. E valem muito. Política também é feita de silêncio, recolhimento e escolhas que não cabem em manchetes apressadas. Você anunciou que os próximos passos serão revelados em 15 de janeiro. Até lá, cabe a nós — eleitores, observadores, cidadãos — exercer o que você sempre pregou: paciência, sobriedade e respeito ao tempo.
Se avexe não. Cante o verso nordestino que atravessa gerações, onde se ouve que “amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada”. E não há nada de errado nisso. A pressa costuma ser inimiga da coerência. E a lógica sempre foi sua marca registrada.
Sua trajetória não foi de saltos oportunistas, mas de degraus firmes. Deputado distrital. Depois, deputado federal. Mais adiante, senador da República. Um passo por vez, como quem sobe escada antiga, testando cada apoio antes de avançar. Em tempos de carreiras infladas por marketing e vaidade, isso o tornou um político raro. Um incômodo para alguns, mas absolutamente necessário.
Você sempre foi exceção. Exceção no gasto. Exceção no discurso. Exceção na ética cotidiana, essa que não dá ibope, mas sustenta a democracia por dentro.
Por isso, esta não é uma cobrança. É uma mensagem natalina tardia, dessas que não vêm embrulhadas, mas carregadas de sentido. Conscientize-se, Reguffe, de que uma nova caminhada está prestes a começar. Não importa se ela será longa ou curta, ruidosa ou discreta. Importa que ela seja verdadeira, como sempre foi.
E aqui, humildemente, deixo registrada uma sugestão que soa mais como declaração de voto do que como conselho: volte ao cenário político como deputado federal. Não como retrocesso, mas como recomeço. A Câmara precisa, talvez mais do que nunca, de quem saiba dizer “não”, de quem saiba fazer conta, de quem saiba que mandato não é propriedade privada.
Sua cadeira, permita-me prever, está garantida. Não por promessa, mas por memória de quem lembra que ainda é possível fazer política sem gritar, sem xingar, sem trair.
Seja qual for sua decisão, ela será respeitada. Mas se decidir voltar, saiba que não estará começando do zero. Estará apenas retomando o caminho. E nós, sem avexamento, saberemos esperar.
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José Seabra é CEO fundador de Notibras