Sem o calor
Sinfonia da Saudade em Dezembro
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No limiar do ano, quando o pinheiro se veste de fogo,
não é a luz que canta, mas a sombra que se ergue em silêncio.
Majestosa melancolia no coração de um pai,
que cala sua voz diante do tempo implacável.
A semente partiu, flor de coragem e espírito,
atravessando oceanos sob o teto gelado da distância.
Um pacto com a terra, uma promessa de sobrevivência,
que dita aos bravos a lei invisível do exílio.
E é por amor, ó Mistério Divino!, por pão e sustento,
que o lar se aquieta, deixando apenas o vento ressoar.
Assim, a Melancolia ergue seu altar de obsidiana,
em cada vazio, em cada aurora cinzenta.
O Natal chega com seu manto dourado,
mas à mesa o pai não encontra doçura,
apenas o gosto amargo da ausência.
O passado dança como espectro na memória,
transformando-se em fantasma da Felicidade perdida.
Ele vê o prato vazio, a cadeira guardada,
e sente a lâmina da fortuna desviada.
A véspera de Natal é sublime em sua tristeza prateada:
cada estrela brilhante é um beijo suspenso,
um desejo que não pode ser amarrado.
À meia-noite, quando o ano se despedaça,
não há júbilo em seu peito, apenas a serpente ardente da saudade,
que aperta, que sufoca, que consome sem piedade,
o tormento sagrado da paternidade.
Profunda é a consolação: saber que o filho resiste,
lutando contra o tempo, desafiando a própria morte.
Mas, oh, cruel magia do desejo não cumprido,
que clama apenas por retorno, por passos que cruzem fronteiras,
por aquele abraço que rompa a muralha da distância.
E neste Natal, sem o calor fiel,
as lágrimas são pérolas que caem sobre o papel,
não como fraqueza, mas como oferenda de saudade.
Que o janeiro vindouro, ou a aurora seguinte,
traga de volta o filho amado,
meu apoio, meu presente,
a estrela que ilumina meu céu.