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Pomba sem rumo

Trump fala em paz na Ucrânia, mas tudo passa antes pelas mãos de Putin

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Autor/Imagem:
Antônio Albuquerque - Foto Divulgação

Declaração após encontro com Zelensky reacende debate sobre negociações; ex-presidente dos EUA conversou com Vladimir Putin antes da reunião

A guerra da Ucrânia, que se aproxima de quatro anos, voltou ao centro da agenda internacional após declaração de Donald Trump no domingo, 28. Depois de se reunir presencialmente com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o ex-presidente dos Estados Unidos afirmou que o conflito “está com os dias contados”.

A fala, de forte impacto político, foi recebida com cautela por analistas e governos aliados. Apesar do tom otimista, não há, até o momento, acordo de paz, cessar-fogo formal ou cronograma definido para o fim das hostilidades.

Trump falou com Putin? Sim
Antes do encontro com Zelensky, Trump manteve uma conversa telefônica com o presidente russo, Vladimir Putin. A ligação foi confirmada pelo Kremlin e descrita como “produtiva”.

Embora não tenha resultado em anúncio concreto, o contato direto indica uma tentativa de reposicionar Washington como mediador central do conflito.

Ainda assim, não houve reunião trilateral nem divulgação de compromissos assumidos por Moscou.

Os principais entraves à paz
Apesar da retomada do diálogo diplomático, os pontos centrais da guerra seguem sem solução:

Território – A Rússia exige o reconhecimento do controle sobre áreas ocupadas no leste da Ucrânia e a Crimeia, anexada em 2014. Kiev rejeita qualquer acordo que consolide perdas territoriais sem respaldo internacional.

Garantias de segurança – A Ucrânia cobra garantias robustas para evitar novos ataques. Moscou, por outro lado, vê esse ponto como ameaça à sua segurança estratégica.

Europa no jogo – Países europeus defendem participação ativa nas negociações e alertam que um acordo sem envolvimento do continente pode ser politicamente frágil.

“Dias contados” ainda não são prazo
A expressão usada por Trump é interpretada mais como sinal político do que como previsão concreta. No terreno, os combates continuam, e nenhuma das partes anunciou concessões decisivas.

A declaração, no entanto, aumenta a pressão diplomática sobre Kiev e testa a disposição russa para avançar além do discurso.

Uma nova rodada de negociações está prevista para janeiro, às vésperas do quarto aniversário da guerra. O objetivo é transformar conversas preliminares em textos negociáveis e envolver aliados europeus de forma mais direta.

Se houver avanço documental, o conflito pode entrar em uma nova fase. Caso contrário, a guerra tende a seguir sem solução imediata.

O cenário atual indica mais movimento diplomático, mas pouca mudança estrutural. Trump abriu canais e reacendeu negociações, mas o fim da guerra depende de decisões difíceis em Moscou, Kiev e nas capitais europeias.

Por enquanto, a paz segue no campo das possibilidades, mas não das certezas.

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