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Jumbo e Negrita no sulmaravilha

Caçaram e devoraram muitos bichos para ficarem gordinhos

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Autor/Imagem:
Cadu Matos - Foto Francisco Filipino

Depois que passou a tristeza pela partida da princesa Graça – que não se despediu deles e, pior, não os levou consigo pro sulmaravilha –, Jumbo e Negrita decidiram partir também.

– Vamos num pau-de-arara, macho véio. Que nem o nosso querido presidente Lula. Ouvi dizer que ele fez isso quando era filhotinho. E somos gatos adultos!

Antes de partirem, porém, caçaram e devoraram muitos bichos, para ficarem gordinhos, acumulando reservas para a viagem. Mesmo assim, passaram fome. Sobreviveram prometendo ser para sempre bichinhos de estimação de uma terrível menina de sete anos, que os puxava pelo rabo e os vestia com roupas de boneca – Negrita ainda passava, mas era deprimente ver Jumbo, gato sertanejo arretado, usando um vestidinho e uma touca. Mas afinal chegaram, pularam do caminhão e saíram correndo pelas ruas do sulmaravilha.

– Cadê os brejos, macho véio? Cadê os sapões? Cadê as cobronas?

– É… não é bem como a gente imaginava, mulé. Mas vamos ficar e procurar a princesa. E estabelecer contato com os companheiros petistas.

A primeira parte seria quase impossível: Graça vivia em Santa Catarina, e eles foram parar no Rio Grande do Sul. Mas a segunda era realizável, haviam aprendido a miar Lulalá; quer dizer, algo que vagamente se aproximava de; esperavam a companheira ou companheiro que ouvisse o canto (na verdade, um barulho pavoroso) se encantasse com os dois felinos e lhes desse casa e comida, que complementariam com cobrinhas e sapinhos; roupa lavada eles dispensavam.

– Mas não é perigoso, macho véio? Ouvi dizer que Lula não venceu no sulmaravilha; alguns chamam essa terra de bozolândia, pelo apelido do coisa ruim que nosso conterrâneo derrotou.

– Nada, mulé. O Brasil inteiro ama o presidente Lula.

Mas Negrita estava certa. Foram fazer a serenata do Lulalá junto à janela de um bolsomínion cascudo, desses que cantam pra ninar pneu. Ele acordou assustado, reconheceu a música e ficou furioso com os “gatos comunistas”; em seguida, jogou um balde de água fria pela janela, que por pouco não os afogou. Ressabiados, decidiram procurar a princesa e, enquanto não a achavam, politizar a gataiada do sulmaravilha/bozolândia.

E foi assim que os exímios caçadores de cobras e sapos tornaram-se hábeis derrubadores de latas de lixo e dedicados militantes entregues ao trabalho de base.

Então, companheiras e companheiros, se estiverem passeando e, distraídos, começarem a cantarolar ou assobiar o Lulalá, e forem repentinamente acompanhados por um horrível coro de miados sem afinação, fiquem tranquilos: são os gatos politizados por Jumbo e Negrita. Ou talvez os dois estejam presentes, vai saber. O fato indiscutível é que os felinos dos pampas guinaram para a esquerda e, na próxima eleição – se gato puder votar –, a direita vai levar uma surra de criar bicho nas serras e campanhas gaúchas.

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