Apto e lúcido
Lula continua sendo ‘o cara’
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Tenho reparado que os líderes mundiais estão ficando cada vez mais velhos. Não só eles, nós também. Estamos vivendo mais tempo, atravessando décadas com mais saúde, mais informação e, em muitos casos, mais disposição para seguir produzindo. Talvez o fato de termos chefes de Estado e de governo com mais de 70 anos seja, antes de tudo, um sinal claro de que a velhice já não significa inatividade. Ao contrário, pode significar experiência acumulada, visão histórica e capacidade de decisão amadurecida.
Em 2025, alguns dos principais líderes do planeta estão todos nessa mesma faixa etária. Xi Jinping tem 72 anos. Vladimir Putin tem 73. Narendra Modi chega aos 75. Recep Tayyip Erdoğan tem 71. Luiz Inácio Lula da Silva completa 80. E Donald Trump tem 79. Todos acima dos 70, alguns já beirando os 80, exercendo, goste-se ou não de suas ideias, funções que exigem enorme carga de trabalho, articulação política e tomada diária de decisões complexas.
Esse cenário me faz pensar que talvez estejamos diante de uma mudança silenciosa, porém profunda: idosos estão cada vez mais produtivos, mais presentes e mais ativos na vida pública. A longevidade não veio sozinha; ela veio acompanhada de novas formas de envelhecer, de trabalhar e de participar da vida política e social. A ideia de que depois de certa idade o sujeito deve simplesmente se retirar já não corresponde à realidade.
Por isso, me incomodou a matéria da The Economist sugerindo que Lula não deveria disputar a reeleição, colocando em dúvida sua capacidade cognitiva. Lula não dá nenhum sinal público de declínio cognitivo. Ao contrário, segue discursando, negociando, viajando, governando e enfrentando debates difíceis com clareza e coerência.
E mesmo que desse (o que não é o caso), isso seria um assunto interno nosso. Diz respeito ao Brasil, ao eleitor brasileiro, às nossas instituições e ao nosso processo democrático. Não cabe a um veículo estrangeiro se colocar como tutor da política nacional, ainda mais a partir de estigmas etários que o próprio mundo já deveria ter superado.
No fundo, a discussão não é sobre idade, mas sobre capacidade, legitimidade e democracia. Se estamos vivendo mais, é natural que também governemos por mais tempo. E quem decide se um líder deve ou não continuar não é a idade no RG nem a opinião de fora, mas o voto e a soberania de cada povo.