Desabafo
Vida de escritora não é fácil
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E as areias do tempo continuam a escorrer pela ampulheta, marcando a nossa caminhada rumo ao desconhecido. Sim, cada grão de areia que se deposita no fundo do receptáculo é um momento que passou e não mais retornará. Se aproveitamos ou não esse momento depende de como percebemos a vida ao nosso redor. Normalmente, deixamos passar. Não porque não quiséssemos aproveitar a chance de realizar algum desejo de nossa alma, mas porque dependemos de outros para alcançarmos tal intento. Não que isso seja garantia de alguma coisa, mas ao menos nos dá algo que vale mais que todo tesouro do mundo… Esperança…
Como vocês sabem, ou pelo menos a maioria tem uma ideia, sou escritora. Tenho alguns livros publicados. Fracasso total em vendas. O primeiro publiquei através de uma editora, há algum tempo atrás. Investi o que tinha disponível em propaganda, paguei algumas entrevistas, paguei para a divulgação do mesmo. Não recuperei nem o que gastei na divulgação. Monetariamente, prejuízo total. A Editora nunca me apresentou qualquer planilha dizendo quanto o livro vendeu, se vendeu. Nunca traçou nenhum plano de divulgação. Nunca recebi nem um centavo relativo às vendas desse título por ela publicado…
O segundo livro, já escaldada pelo prejuízo do primeiro, resolvi publicar em uma plataforma para escritores. Novamente gastei algum para divulgar minha obra. Paguei para algumas pessoas escreverem uma resenha do mesmo, fiz minha própria propaganda em meus grupos… e, para variar, nenhum exemplar vendido. Não o suficiente para cobrir os gastos que tive para a publicação e divulgação…
Veio o terceiro. Atendendo a pedidos de “fãs” que me acompanham desde o início de minha jornada como escritora, fiz uma compilação de algumas de minhas crônicas e, desta vez, resolvi pedir ajuda a algumas pessoas que acreditei que poderiam ajudar-me na divulgação. Contribuo para dois jornais, um da minha região e outro de outro Estado da Federação. Conversei com meus contatos de ambos veículos e essas pessoas prometeram que publicariam um artigo sobre a obra que eu estava lançando então…
Bem, é óbvio que um jornal tem suas prioridades e talvez meu livro não estivesse à altura para merecer um artigo, uma indicação deste. Acredito que sim. É claro que, quando você pede um favor para alguém, antes mesmo de fazer a solicitação já tem um “não” garantido. Mas a Esperança é a última que morre e você espera ouvir um “sim”. Mas quando esse “sim” é só da boca para fora, machuca muito mais que o “não”, direto e franco. E, no final, a culpa é única e exclusivamente sua. Não temo como terceirizar seu fracasso…
O que não consigo entender é por que as pessoas… as “influencer literárias”… fazem resenha gratuitas de obras já consagradas… de clássicos que se vendem sozinhas. Mas quando é um livro de alguém que está começando… mesmo que esse começo já tenha um bom tempo de estrada… cobram. E não cobram barato. Veja bem, não estou culpando ninguém. Afinal, a única responsável pela minha caminhada por esse plano sou eu, ninguém mais. E se aquilo que escrevo não agrada ninguém além de mim… se meus escritos não merecem nem mesmo uma pequena menção de quem quer que seja, bem… eu estou errando. E muito, já que não consigo atrair ninguém para o meu lado…
Sei que este não é um problema exclusivo meu. A maioria dos escritores iniciantes sofrem do mesmo mal. Mas sabe o que mais dói? É ouvir a velha frase à guisa de consolo… “A maioria dos escritores só foi reconhecida depois que se foi”…
Bem, de nada me valerá reconhecerem meu trabalho depois que eu partir. Me esforço ao máximo para que gostem do que produzo em vida. Não me servirá de nada loas ao meu trabalho depois que me for desse plano. Mas sei que, se não reconhecem o que faço, a culpa é minha. Somente minha. Então, fico me perguntando… o que posso fazer para mudar esse estado de coisa? E a resposta é uma só… simplesmente não sei… não faço a menor ideia de como poderia mudar minha trajetória. Continuarei a escrever. Gosto de expor o que penso. Gosto de mostrar ao mundo aquilo que vejo. Mas sem maiores ambições. Mesmo porque quando criamos expectativas e essas não se concretizam… a queda costuma machucar… e muito…