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Pernambuco

Indígenas combatem dengue com mosquitos estéreis

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Autor/Imagem:
Júlia Severo - Foto Divulgação

Em Pesqueira, no interior de Pernambuco, uma comunidade indígena se tornou referência histórica no enfrentamento das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti. A Aldeia Xukuru de Cimbres, no município de Pesqueira, foi escolhida como o primeiro território indígena no mundo a receber oficialmente a Técnica do Inseto Estéril (TIE) como política pública para controle da dengue, zika e chikungunya, numa ação coordenada pelo Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco.

A estratégia inovadora consiste na produção em laboratório de mosquitos Aedes aegypti machos esterilizados por irradiação, que são liberados na natureza para acasalarem com fêmeas selvagens sem gerar descendentes. Como apenas as fêmeas picam e transmitem doenças, a liberação dos machos estéreis não representa risco para a população local e, gradualmente, reduz a população total do mosquito vetor.

Ao impedir a reprodução natural, a técnica busca reduzir a circulação do vetor e, consequentemente, os casos de dengue, zika e chikungunya na região, sem o uso de inseticidas químicos e com menor impacto ambiental quando comparada às estratégias tradicionais.

A implantação da TIE em Cimbres começou na primeira quinzena de dezembro com a soltura de milhares de mosquitos machos estéreis, um marco da nova fase da política de saúde pública voltada para o controle vetorial no Brasil. A escolha da comunidade levou em conta características territoriais e logísticas que facilitam o monitoramento técnico e a execução da estratégia.

O projeto é fruto de uma articulação entre o Ministério da Saúde, gestor da tecnologia, e a Secretaria de Saúde de Pernambuco, que atuam com o Distrito Sanitário Especial Indígena de Pernambuco e equipes locais de vigilância e atenção à saúde.

O investimento inicial para a técnica no território indígena é de aproximadamente R$ 1,5 milhão, incluindo produção, transporte e acompanhamento técnico. A previsão é que após a etapa inicial mais de 200 mil mosquitos estéreis sejam liberados semanalmente nas fases seguintes do projeto.

A continuidade e a possível ampliação da estratégia para outros territórios indígenas e comunidades rurais dependerão da análise de resultados e da avaliação técnica das equipes envolvidas, especialmente na redução dos índices de mosquitos e dos casos de arboviroses.

Autoridades sanitárias destacam que a TIE tem potencial para reforçar o controle de vetores em áreas sensíveis, como territórios indígenas, onde o uso de inseticidas químicos pode ser limitado por questões ambientais e culturais. A técnica alia eficiência e respeito ao meio ambiente e às especificidades locais, oferecendo uma alternativa sustentável às abordagens convencionais.

Especialistas afirmam que a redução da população do mosquito transmissor não só diminui o risco imediato de infecções, como também pode contribuir para fortalecer a vigilância epidemiológica e ações de prevenção a longo prazo — um passo importante para a saúde das comunidades mais isoladas e vulneráveis do país.

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