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Resumo da Semana

Vestir branco não basta para que o mundo viva em paz

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@donairene13 - Foto de Arquivo

O ano novo chegou. A gente vestiu branco, pediu aos deuses paz, fez simpatia, mentalizou calma, harmonia, equilíbrio. Mas, pelo visto, não foi suficiente.

A primeira semana do ano teve tudo, menos paz. Foi como se o calendário tivesse virado, mas o mundo seguisse acelerado, tenso, em estado permanente de alerta. Logo de cara, vi Flávio Bolsonaro aparecer em uma igreja evangélica, aceitando Jesus diante das câmeras. Um gesto que soa menos como fé e mais como recado político. Flávio está em pré-campanha, e no Brasil ninguém faz movimentos simbólicos desse tamanho por acaso. A religião segue sendo usada como plataforma eleitoral, e isso diz muito sobre o tipo de disputa que se desenha.

Também nesta semana Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, foi preso após descumprir medidas cautelares. Mais um golpista atrás das grades. Menos mal. A direita, é claro, choramingou nas redes sociais como sempre faz.

E como se o cenário interno já não fosse suficientemente inquietante, o mundo resolveu lembrar que também anda perigoso. Os EUA, por meio de Donald Trump, invadiram a Venezuela e sequestraram Nicolás Maduro. Como se não bastasse, dirigiu suas ameaças a países historicamente pacíficos. Colômbia, México, Groenlândia, Dinamarca. Todos sob tensão.

Nesse contexto, é impossível não se perguntar: quando chegará a vez do Brasil? Tenho a sensação de que não será com tanques ou soldados nas ruas, mas de forma muito mais sutil e, justamente por isso, mais perigosa. A interferência virá pelos algoritmos, pelas fake news, pelo financiamento cruzado, pelas disputas narrativas, sobretudo nas eleições presidenciais. Um ataque silencioso à soberania popular, difícil de identificar, mas profundamente sentido.

Vestimos branco, sim. Pedimos paz, também. Mas talvez esteja cada vez mais claro que a paz, hoje, não se conquista com rituais de fim de ano. Ela exige vigilância democrática, consciência política e coragem para não naturalizar o caos. Porque, do jeito que o mundo anda, a falta de paz não é acidente, é o projeto estadunidense.

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