8 de janeiro
Patriotas de verdade evitaram que Brasil virasse quintal dos EUA
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Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar. Desconheço a origem e a autoria de pensamento tão eloquente, profundo, convincente e verboso. Por analogia, podemos aplicá-lo ao famigerado 8 de janeiro de 2003, o domingo brasileiro que nunca existiu. Naquele dia, três, quatro mil homens não conseguiram derrubar a República, cuja democracia se consolidava, após quatro anos de falsas profecias, de promessas nunca cumpridas, de muitas mentiras e de um governante que, para sorte do povo, mostrou a cara antes mesmo da alforria presidencial.
Assim como forte é a mulher que transforma cicatrizes em medalhas de coragem, o presidente eleito democraticamente continua não sendo o melhor para cerca de um terço dos brasileiros. Para os dois outros terços, no entanto, no dia em que o golpe se escondeu nos Estados Unidos, nos gabinetes antidemocráticos e nos quartéis da PM do Distrito Federal, Luiz Inácio se mostrou forte, determinado, corajoso, capaz de enfrentar desafios e de se reinventar todos os dias.
Logo ele, um ex-presidiário, achincalhado noite e dia pelos metidos a paladinos da moralidade e que havia tomado posse há apenas uma semana do vandalismo encomendado por uma plêiade de golpistas amadores a uma ruma de terroristas estagiários. Como digo e repito sempre que há necessidade, Lula pode não ser o ideal, mas foi com ele que, em apenas três anos, o Brasil voltou a se sentir grande, tão grande que obrigou o imperador Donald Trump a se dobrar e a respeitar a soberania de uma nação que não aceita ser quintal dos Estados Unidos.
Por conta do clã Bolsonaro, a soberania popular do Brasil foi posta à prova duas vezes nesta década. Pelo bem da sociedade ordeira, em nenhuma delas as autoridades sérias, Luiz Inácio à frente, aceitaram a transformação do País Tropical em uma empresa sob administração externa. Os mercenários contratados pelos neocolonialistas do bolsonarismo tiveram o fim merecido. Depois da tentativa de tomar o Brasil em braile, a maioria foi condenada e está presa, inclusive o abstrato líder da maracutaia golpista. Como normalmente fazem, os covardes que não conseguiram fugir se dizem inocentes e perseguidos.
Três anos depois da intentona tirânica do grupo que sempre sonhou com a fragilização do país, a sirene de alerta permanece ligada. Afinal, diante de pessoas tão nocivas à pátria, é essencial que, além de Lula, o eleitorado que preza a democracia se una, ponha as barbas de molho, condene os caprichos de uma família aquartelada e vote contra todos os que durante quatro anos torceram pelo caos e trabalharam por investidas autoritárias, obscurantistas e ultrajantes. Graças à coragem de verdadeiros patriotas, entre eles o ministro do STF Alexandre de Moraes, a maioria das frases sobre o 8 de janeiro gira em torno da defesa da democracia.
Queiram ou não, a data será sempre evocada como o dia em que pelo menos dois terços da população disseram não à tentativa de golpe e sim ao fortalecimento das instituições. Tristemente lembrado no DF e no Brasil, o 8 de janeiro de 2023 tem de ser anualmente revisitado, pois trata-se da cicatriz de uma ferida provocada por grave lesão à democracia. A lembrança é necessária para que os brasileiros jamais esqueçam que momentos como aqueles não devem voltar a manchar a história do Brasil. Quanto aos que insistem em negar a natureza golpista do 8 de janeiro, cabe mais uma analogia. A alegada inocência dos réus do golpe que não houve é um “mito” criado e “vendido” pelo mito que hoje não suporta a frase que mais ilustra o Dia da Infâmia: Ainda estamos aqui.
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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras
