O recado
Lula, curto e grosso, afasta papo com golpistas
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Ontem, 8 de janeiro, completaram-se três anos de um dos episódios mais vergonhosos da nossa história recente. Três anos desde que golpistas, inconformados com o resultado das eleições, invadiram a sede dos três poderes e depredaram prédios públicos, numa tentativa explícita de rasgar a Constituição, afrontar a democracia e impor ao país um projeto autoritário que jamais passou pelo crivo das urnas.
Não foi um ato isolado, nem um “excesso” de alguns poucos exaltados. Foi uma ação organizada, estimulada por discursos irresponsáveis e sustentada pela recusa em aceitar o jogo democrático. Houve planejamento, liderança, financiamento e objetivos claros. Minimizar isso é mentir para a história e, pior, abrir caminho para que se repita.
Por isso, é profundamente simbólico que, exatamente três anos depois, o presidente Lula tenha vetado o chamado PL da dosimetria. Um projeto que, na prática, reduziria penas não apenas dos delinquentes que invadiram e destruíram patrimônio público, mas também dos líderes dessa organização criminosa que tentou tomar o poder à força. O veto representa uma escolha política acertada, de compromisso com a democracia e com a memória do que vivemos.
O veto era a única atitude decente possível, e Lula fez o que precisava ser feito. Vetar foi dizer, de forma clara, que não há conciliação com golpismo, que não se passa pano para quem atentou contra o Estado de Direito e que a democracia brasileira não pode ser tratada como algo descartável.
Se o Congresso quiser derrubar o veto, que o faça. Mas que arque com o desgaste político de reduzir penas de bandidos que atentaram contra a democracia, em pleno ano eleitoral, diante de uma sociedade que não esqueceu o que aconteceu naquele 8 de janeiro. A história observa, a memória permanece e a democracia cobra seu preço.