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Duas pessoas

Ideias somadas

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Autor/Imagem:
Mércia Souza - Foto Francisco Filipino

Saio de casa em um sábado de verão, encontro uns amigos virados, diríamos assim.

Trabalharam na sexta, chegaram tarde em Marataízes, tempo suficiente para um banho e show. Música, álcool, dormir por duas ou três horas e partir para a praia, afinal os finais de semana de verão para os trabalhadores são curtíssimos.

Caminhando ao som das ondas, ouço meu nome aos gritos. Paro, olho em direção ao som e passo a manhã na companhia de boas amizades, sol, comida, bebida, boa conversa e novas amizades.

Eu não conhecia a todos, ali se formavam novas amizades. Era um dia quente, não dava para pisar na areia, vou a água e volto, coloco uma saída de praia, um shortinho, para buscar uma água no bar.

O shortinho aperta minha virilha. Um “novo amigo” diz:

— Marcante, não tem vergonha?

Eu diria que a raiva subiu, mas naquele momento olhei calmante e tive pena da sua dificuldade de olhar além. Mesmo assim, nem sempre sei me calar, olhei firmemente para ele:

— Engraçado, há poucos minutos te vi saindo da água orgulhoso dos seus volumes, e eu tenho que me envergonhar dos meus? Aliás, orgulhoso, vi você se insinuar para as mulheres que te ignoravam enquanto saíam da água, ao mesmo tempo que vi você fazendo pequenas piadas com sua esposa, gorda, que é a mulher mais bonita que vi atualmente, por inúmeras razões.

Primeiro – É a mulher mais tranquila e bem resolvida que vi esses dias

Segundo – É a mulher mais sensual daqui, cheia de curvas e segurança.

Terceiro – É o sorriso mais real que eu conheço.

Quarto – Apesar das suas piadinhas, ela não se diminuiu.

E o cara da ponta da mesa não conseguiu deixar de olhar para ela, o da esquerda tentou flertar inúmeras vezes, aquele ali atrás, que é lindíssimo e pelo jeito decente e sério, sentou-se de costas, pois ao que observo é casado, mas inevitável olhar para sua mulher, enquanto isso, você faz piada e sua sorte é a inteligência dela, em se aceitar e só estou falando isso porque somos todos apenas humanos, apenas não, amo o ser humano.

Depois desse discurso, peguei minhas coisas e fui embora, sabia que o clima não era favorável.

Seis anos se passaram, saio para meu passeio, descanso, meu vinho, que é algo muito atual, vinho de manhã na praia, encontro a bela gorda que não esqueci, maravilhosa como sempre, linda como sempre, o mesmo sorriso de sempre.

Acompanhada de um homem cheio de carinhos, cuidando dos seus dois cachorrinhos fofos, enchendo-a de carinho.

Abraços e felicitações de feliz 2026 e senta aqui, toma um vinho.

— Eu nem sabia que você bebia. Falo.

— Eu não fazia muitas coisas, mas depois do que você disse há seis anos atrás eu te entendi… Alguém me enxerga como eu me enxergo.

— Por que não um vinho em boas companhias em um sábado de manhã de verão? Qual é a regra da vida?

Sorrio, acabei de beber uma garrafa inteira de vinho pensando o mesmo.

Dou-lhe um abraço apertado, prometo encontros em breve e sigo.

” Duas pessoas, cada uma tem um pão, se encontram, cada uma divide o pão e vão embora, com quantos pães cada uma fica?

Duas pessoas têm uma ideia, se encontram, dividem a ideia e vão embora, com quantas ideias cada uma fica?” Ideias somadas.

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“Apaixonada pela vida em todas as suas formas! Mãe, avó, artesã do crochê e escritora por vocação. Encontro inspiração na natureza e tranquilidade nas trilhas da montanha. Palavras e linhas são minhas ferramentas para criar e compartilhar amor.”
Autora de três livros publicados, colunista e integrante de uma comunidade literária.
Atualmente reside em Cachoeiro de Itapemirim-ES.

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