Leitura dinâmica
LER DIMINUI A “CANA DURA”?
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1.
Na Idade Média, a maioria das pessoas não sabia ler. Não por falta de capacidade, mas por falta de permissão e negacionismo radical.
Livros eram raros, caros e perigosos.
Quem lia demais refletia e refletindo fazia perguntas.
E perguntas davam trabalho, incomodavam e geravam conhecimento.
Durante séculos, ler fora do que era autorizado podia custar o emprego, a reputação ou a liberdade. Em alguns lugares e situações, até a vida.
As universidades nasceram sob vigilância.
Professores e padres falavam em latim. Tradição e código secreto.
A História muda os cenários, mas repete os comportamentos. No mundo de hoje ainda proíbem livros “perigosos” e o livre pensamento. Quando não proíbem, as redes sociais fazem o “trabalho sujo” de anestesiar a capacidade de leitura, concentração e interpretação de textos e livros que nos iluminam.
2.
2025/26. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autoriza a leitura e resenhas de livros como atividade capaz de diminuir os dias de prisão dos condenados em cumprimento de penas.
E aí volta aos holofotes a figura do ex-presidente do Brasil, o Capitão-chefe do golpe contra a democracia de 2022.
Os advogados da criatura correm em busca do benefício para o polêmico cliente.
Esqueceram apenas de um detalhe: como fazer a “mágica” capaz de transformar o péssimo hábito de negar os livros e a leitura, caraterístico do condenado.
Não, definitivamente “não vai dar bom, táokey!”.
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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador que acredita em Paulo Freire e sua pedagogia de alfabetização e libertação, mas não no caso do Capitão ex-tudo. Vive na Guarda do Embaú, litoral de SC.