Curta nossa página


Eleições em Brasília

Sucessão aponta vitória do Centro e renovação histórica dos distritais

Publicado

Autor/Imagem:
José Seabra - Foto de Arquivo

Pesquisas de consumo interno, encomendadas por grandes legendas políticas com atuação em Brasília, indicam que a sucessão do governador Ibaneis Rocha (MDB), nas eleições de outubro próximo, tende a ser uma das mais competitivas dos últimos ciclos eleitorais no Distrito Federal. Os levantamentos apontam um cenário polarizado entre a vice-governadora Celina Leão (PP), o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e o advogado Kiko Caputo (sem partido).

De acordo com os dados analisados por estrategistas e dirigentes partidários, Celina Leão aparece, neste momento, na dianteira. Ainda assim, o intervalo até outubro é considerado suficientemente longo para rearranjos políticos, reposicionamentos de alianças e mudanças no humor do eleitorado. O consenso entre analistas é que o quadro permanece aberto, embora haja um elemento relativamente estável, sugerindo a tendência de manutenção de um nome do campo do centro político no comando do Palácio do Buriti.

No campo da esquerda, os levantamentos internos revelam um enfraquecimento do bloco liderado pelo Partido dos Trabalhadores. A escolha do nome de Leandro Grass, considerado o preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria provocado fissuras internas ao preterir alternativas consolidadas, como a deputada federal Érika Kokay e o ex-deputado Geraldo Magela. Avaliações reservadas indicam que a decisão pode ter fragmentado apoios históricos, dificultando a construção de uma candidatura mais competitiva. Entre os petistas, a palavra e ordem é cada um por si e nenhum por todos.

O cenário eleitoral também sinaliza uma possível renovação expressiva da Câmara Legislativa. Projeções internas falam em uma troca superior a 60% das cadeiras, impulsionada por desgaste político e por demandas do eleitorado por novos nomes e práticas. Surpresas à parte, o eleitor brasiliense deve colocar entre 16 e 18 novas caras de deputados distritais.

Nesse contexto, parlamentares de destaque estariam sob maior escrutínio, sendo, consequentemente, expurgados do cenário político. O presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), aparece citado como alvo de críticas relacionadas a supostas irregularidades na ocupação de área pública no Park Way – onde teria erguido uma mansão hollywoodiana -, e a denúncias de nepotismo, envolvendo a nomeação de sua esposa para cargo de direção em empresa pública. Já o vice-presidente da Câmara, Ricardo Valle (PT), teria sua imagem afetada por movimentos atribuídos a seu irmão, Paulo Tadeu, conselheiro do Tribunal de Contas, acusado nos bastidores de manter um grupo de servidores de alto escalão com forte influência dentro da estrutura do governo local.

Embora tais apontamentos não configurem, por si, decisões eleitorais consolidadas, eles ajudam a compor o pano de fundo de um pleito que se anuncia marcado por disputas intensas, rearranjos partidários e um eleitorado atento a temas como ética pública, renovação política e governabilidade. O certo é que, com a proximidade do calendário eleitoral, o Distrito Federal caminha para uma eleição que poderá redefinir não apenas o comando do Executivo local, mas também o equilíbrio de forças no Legislativo distrital, um movimento com reflexos diretos na condução política da capital da República.

…………….

José Seabra é CEO fundador de Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.