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O planeta é perfeito

CAMINHAMOS A PASSOS LARGOS PARA NOSSA ANIQUILAÇÃO

Publicado

Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Vivemos em um mundo perfeito em suas imperfeições. Como assim? Estou dizendo que o mundo tem imperfeições? Bem… quer dizer… ele é o Paraiso que tanto procuramos, mas algumas vezes também é o Tártaro do qual fugimos tão desesperadamente…

O Planeta em si é perfeito em seus mínimos detalhes. Se há algo que não corresponde aos nossos desejos, é mais por culpa de nossas ações no dia a dia que por qualquer outro motivo. E já reparou que, de certa forma, somos uma projeção do mundo no qual vivemos? Já explico…

Nós, como nossa casa, nascemos perfeitos. Até mesmo em nossas imperfeições, como falei do planeta que habitamos. Mas… não sei dizer exatamente porque, muitas vezes não nos aceitamos como viemos ao mundo. E o desejo de mexer com aquilo que a Natureza criou torna-se um sentimento tão forte, que acabamos por nos mutilar em nome de uma perfeição que já tínhamos, mas que nos recusamos a ver…

Com o nosso Rincão acontece a mesma coisa. Olhamos para um vale onde a floresta impera, majestosa, e no mesmo momento visualizamos estradas, pontes, construções mil… se o rio caudaloso parece um empecilho às nossas ideias, não temos pudor em simplesmente desvia-lo ou, em casos mais extremos, soterra-lo para que não atrapalhe nossos planos…

Há mil e uma maneiras de explorar determinada área sem necessidade de degradá-la. Mas escolhemos a via mais simples, mesmo que no futuro essa escolhe se mostre quão desastrosa foi não só para a própria Natureza… mas compromete, e muito, nossa própria sobrevivência…

Quando, por motivos de “segurança”, resolvemos expulsar determinada colônia de antigos moradores da região por nós cobiçada, em nenhum momento nos damos conta do estrago que estamos fazendo, não só na vida daqueles que por nós foram expurgados, como na nossa própria. Exemplos existem aos milhares. Mas vou citar um. Apenas um…

Chegamos em determinada região, ainda inexplorada. Árvores frondosas oferecem sombra e ar puro, além de abrigo para a vida selvagem que nela habitam. Bem, nosso primeiro passo é derrubar algumas árvores para que possamos construir nossa habitação. Definimos o tamanho da derrubada inicial e, ao cabo de algum tempo levantamos uma casa confortável, onde iremos nos refugiar para o descanso merecido depois de uma jornada exaustiva de trabalho…

Bem, a casa já temos… mas precisamos de um espaço para cultivar nosso alimento. E… adivinha só… mais árvores serão derrubadas, para que possamos viver com certo conforto… cavamos um poço, de onde retiraremos a água necessária para nossa sobrevivência. Afinal, sem água, não há como existirmos, não é mesmo? E assim, com o poço e a nossa plantação, vivemos felizes para sempre…

Mas nosso conforto exige mais daquilo que a Natureza nos oferece. Vivemos em Sociedade. E, pouco a pouco, outros colonizadores irão se aproximando, abrindo novas clareiras, aumentando não só a área de habitação, mas também a área de cultivo. E, aos poucos, vai-se construindo currais, onde serão confinados animais cujo principal destino será o complemento da alimentação do povo que ali se instalou…

Os animais silvestres serão expulsos de seu habitat aos poucos. Aqueles considerados “bons para consumo” acabarão seus dias confinados junto com os animais já domesticados. Os outros simplesmente serão expulsos ou mortos. Afinal, em nossa Sociedade Perfeita não há lugar para aqueles cuja função principal não esteja bem estabelecida. O equilíbrio ecológico não é, nem de longe, a preocupação primordial da maioria das pessoas…

A floresta, rica em sua diversidade, pouco a pouco vai-se esvaindo. A vida, que antes pululava por todo entorno, vai-se apagando como a chama de uma vela que está chegando ao fim… o progresso exige que se modifique o entorno onde a não muito tempo a vida selvagem existia em paz… floresta e lagos simplesmente são destruídos em nome de uma vida, na visão da Comunidade ali formada, mais confortável, onde os recursos criados pela mão do homem tomam o lugar de toda a riqueza que a Natureza lhe ofereceu…

Há um preço a pagar. Demora. Mas a fatura sempre chega. Mas, como somos maus pagadores, simplesmente nos esquecemos da mesma e continuamos a viver como se os recursos por nós explorados fossem eternos… nos esquecemos que tudo um dia chega ao fim… é quando o Paraíso se torna o Tártaro, local de sofrimento. Sofrimento esse que buscamos por conta própria. Sufocamos a Mãe Natureza até chegar o momento em que ela nada mais pode fazer por nós… então, apontamos o dedo para todos os lados, procurando os culpados por tal situação…. e nos esquecemos de nos mirar no espelho, onde a imagem do principal culpado com certeza se mostraria…

Somos os únicos responsáveis pelos caminhos que escolhemos. Podemos viver em paz com a Natureza… ou simplesmente ignorar todas as benesses que ela nos oferece, e acabarmos no meio do Caos, onde tudo que existia simplesmente se extingue, por culpa nossa e apenas nossa… ainda há tempo de acordarmos para a realidade, preservar os tesouros que estão à nossa volta. Se tal não acontecer em um curto espaço de tempo, chegará o momento em que não haverá mais possibilidade de retorno e nosso fim será decretado… pense nisso…

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