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A menina, o unicórnio, o cordeiro e o leão

Era uma vez, em uma terra distante, uma professora chamada Marly

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Autor/Imagem:
Cadu Matos - Foto Francisco Filipino

Juro que não fui eu, não baixei pissirongas. Por algum motivo, pintou o Meta AI no meu whatsapp e se ofereceu para contar uma história. Sem esperar resposta, criou (sic) o seguinte enredo (sic):

Era uma vez, em uma terra distante, uma professora chamada Marly. Ela era conhecida por sua paixão em ensinar e fazer com que seus alunos se apaixonassem pela aprendizagem.

Um dia, ela decidiu levar seus alunos em uma viagem ao zoológico. Lá, eles encontraram um leão chamado Leo, que era o rei da selva. Leo era um leão muito curioso e adorava fazer amigos.

Os alunos de Marly estavam encantados com Leo e começaram a fazer perguntas. Marly aproveitou a oportunidade para ensinar sobre a vida selvagem e a importância da conservação.

E assim, a viagem ao zoológico se tornou uma aula inesquecível para todos!

Resisti, mas acabei pegando carona nessa josta. E escrevi a seguinte fábula:

Era uma vez, em uma terra distante, uma professora chamada Marly. Certo dia, ela levou seus alunos em uma visita ao zoológico. Lá, eles encontraram um leão chamado Leo, que adorava fazer amigos. Só que, é evidente, ele conservava seus instintos de feroz predador das savanas da África.

Leo estava deitado, feliz da vida, sendo acariciado pela criançada, quando uma menininha saiu correndo, atrás de um saltitante unicórnio cor-de-rosa (sim, sei que unicórnios não existem, muito menos unicórnios saltitantes, mas neste conto um deles está presente). Imediatamente o leão ergueu-se, perseguiu as presas e abateu a garota e o unicórnio com duas patadas. O arrependimento veio na hora. O que o fizera matar dois seres inocentes, a linda criança e o unicórnio, um bichinho tão delicado? Por que ele era assim?

A resposta era simplesmente milhões de anos de evolução – ou, para os religiosos fundamentalistas, a providência divina –, mas Leo não sabia disso, era analfabeto de pai e mãe, nunca ouvira falar em providência divina e muito menos na evolução das espécies.

Em busca de uma resposta, a fera arrependida entrou num templo neopentecostal pertinho do zoológico, justo no momento em que o pastor clamava aos fiéis:

– Pecadores! O sangue do Cordeiro os salvará!

Leo ficou comovido com a perspectiva de redenção. Mas a verdade é que estava meio faminto (apetite de leão é uma grandeza), não se alimentara das duas presas recém-abatidas, ao ver o sangue do cordeiro sua bocarra encheu-se de saliva…

Com um grande salto, o leão chegou junto ao pastor e o devorou. E também comeu o cordeiro, que ninguém é de ferro.

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