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Política é coisa séria

Polarização só acabará quando eleitor fechar as portas para maracutaias

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Política é coisa séria. No Brasil da fantasmagórica polarização, brincar de eleger qualquer um tem sido um convite às maracutaias. Pior do que isso é a comprovação de que convivemos com lideranças fracas, artificiais e em fim de carreira. Em síntese, é a declaração expressa da falência do sistema político. Embora aparentemente estejamos mais distantes da areia movediça, polarizar é sinônimo de manter a nação em constante sobressalto. Numa linguagem mais objetiva, é torcer para que a população permaneça em uma zona de guerra.

Sonhar com democracia plena talvez seja sinônimo de um dia termos de voltar a pensar em uma terceira via. Quem sabe muitas vias. Por enquanto, muito menos espalhafatoso e brutal do que o Big Brother do Plim Plim, as eleições presidenciais e, principalmente, as legislativas deste ano precisam ser encaradas de forma mais séria do que as anteriores, sob pena de termos de hibernar por quatro ou oito anos no quarto branco da patifaria política. No caso da Presidência da República, o risco é seguir direto para o paredão. Na feira livre das urnas, é fácil colocar no poder loucos, déspotas, tiranos, despreparados, oportunistas, aventureiros e até fora da lei.

Para os que ainda têm alguma consciência e algum discernimento, 2018 não está tão longe assim. Não devemos esquecer que o político nada mais é do que reflexo do povo. Portanto, escolher exclusivamente por questões ideológicas é o mesmo que aceitar entrar na Arca de Noé sem o diferencial de gênero. Aí vira zorra. Todo mundo é de todo mundo e ninguém é de ninguém. Tô fora. Prefiro a barafunda partidária. Nela, pelo menos escolhemos políticos para nos representar.

Na polarização, são os políticos que escolhem o povo para representá-los. Daí a atual sodomia política, na qual é cada um por si, propina para todos e o eleitor que se dane. Outubro está próximo. Todavia, ainda temos tempo para buscar a certeza de que verdadeiramente queremos o Brasil caminhando forte e sendo respeitado democraticamente. Fazer valer o nosso voto é peneirar os candidatos e escolher corretamente aqueles que apresentarem ideias e propostas coletivas e colaborativas e não apenas em benefício particular ou de correligionários.

Seja à direita ou à esquerda, no Brasil e no mundo, o extremismo minou a individualidade de pensamento político e a pluralidade ideológica. De modo simplista, os caciques partidários resumiram os políticos em dois grupos distintos. E nós decidimos não contestar. Eis a razão pela qual estamos todos à beira da loucura. É óbvio que toda forma de extremismo é insalubre, na medida em que ele cega, corrói e paralisa as mentes brilhantes. Como os extremistas só enxergam o lado dele, está claro que toda espécie de extremismo é um convite ao idiotismo. O modo sério e inteligente para mudar a política brasileira é não deixar os políticos brincarem com nossa inteligência.

Todos os brasileiros fazem parte do sistema político. Por isso, é preferível que tenhamos um papel ativo na construção de uma coletividade mais feliz. A primeira opção é deixar de brigar por políticos e lutar por direitos. Mais importante é escolher, à direita ou à esquerda, um governante que tenha consciência da obrigação de governar para todos. Um governo com formação no ódio, na corrupção, segregação, fanatismo e preconceito certamente contribuirá para a inevitável falência da sociedade. Estivemos bem próximos dela. Como onde há esforço e ética há progresso, apostar no passado soaria como um desejo mórbido de pisar duas vezes na mesma bosta. Olhemos para o futuro com a convicção de que o caminho da paz e da harmonia não tem volta.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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