Eleições 2026
Haddad deve ser candidato
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Lula tem insistido em uma tese que, embora pragmática, não é isenta de tensão interna: todos os nomes fortes do Partido dos Trabalhadores devem entrar em campo na próxima eleição. A lógica do presidente é clara. Para além de vencer a disputa presidencial, é indispensável eleger bancadas robustas na Câmara e no Senado. Sem isso, a governabilidade continuará refém do centrão e de alianças frágeis, que custam caro politicamente e prejudicam projetos estratégicos do governo.
Na visão de Lula, não basta ter quadros técnicos e políticos ocupando ministérios. É preciso transformá-los em votos, em cadeiras no Congresso, em força institucional. Mesmo que esses nomes, depois de eleitos, retornem ao governo em cargos executivos, o cálculo é simples: cada parlamentar fiel ao projeto político reduz a dependência de acordos circunstanciais e amplia a margem de manobra do Planalto.
O problema é que nem todos estão confortáveis com essa ideia. Alguns ministros e lideranças do partido resistem à ideia de abandonar posições estratégicas no Executivo para enfrentar uma eleição incerta. Entre eles, Fernando Haddad desponta como o caso mais emblemático. À frente do Ministério da Fazenda, Haddad se tornou peça central do governo, responsável por conduzir uma agenda econômica difícil, cercada de pressões do mercado, do Congresso e da própria base aliada.
Sua relutância é compreensível. Uma candidatura significaria interromper um trabalho em andamento e assumir o risco de uma disputa eleitoral que pode não ser simples. Ao mesmo tempo, sua presença nas urnas representaria um ativo poderoso para o PT, especialmente em um cenário em que o partido precisa fortalecer sua bancada e renovar lideranças com potencial eleitoral.
A pergunta que fica é se Haddad conseguirá resistir à pressão de Lula. A história política do presidente mostra que, quando ele define uma estratégia, costuma ser persistente e, muitas vezes, bem-sucedido em convencer seus aliados. No fundo, trata-se menos de uma escolha individual e mais de uma disputa entre o conforto do cargo atual e a necessidade política do projeto coletivo.
As próximas semanas devem revelar se Haddad permanecerá como exceção ou se acabará se somando ao movimento que Lula tenta construir. Porque, para o presidente, a eleição não é apenas sobre vencer, é sobre governar depois, com menos amarras e mais força no Congresso.