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Cântico

O enlace

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

O Sol, coroado de fulgor, soberano da chama e da alvorada,
carrega em seu peito um relicário de lembranças,
um cântico de entrega que se dissolve no horizonte.

Ele suspira, pois o antigo rito se cumpre:
ceder espaço ao êxtase da noite,
abrindo caminho para o mistério que floresce nas sombras.

E a Lua, vestida de prata líquida,
com véus de seda translúcida,
desvela sua essência de cristal,
guardando em silêncio o segredo de sua espera.

Ela sabe que é guardiã da madrugada,
mas sua alma se curva sob o peso de uma saudade imortal.

Oh, amor que nunca se consuma,
dança infinita e sentença celeste!

O tempo os aparta,
aprisionando-os na corrente invisível que rege o firmamento.

Ele a procura no ocaso,
com um último raio dourado,
oferecendo-lhe o fruto da esperança antes de se recolher.

Ela acolhe esse presente como quem guarda uma joia,
um lampejo que resiste na fenda do céu,
e se veste de coragem para acalmar sua própria tempestade.

Eles se encontram no véu delicado
onde o azul se transmuta em púrpura;
ele lhe entrega o ouro da abóbada,
ela, uma lágrima cintilante.

Sabem que é apenas um voo breve,
um reencontro incompleto,
e que o amanhecer traz melancolia,
mas não apaga a seta que os une.

Ele murmura o ardor que o devora;
ela responde com o pulsar de sua essência,
com o brilho que guarda em sua fronte.

Assim, ainda que o destino insista em dissolver este enlace,
o romance permanece gravado,
entrelaçado no manto eterno que os envolve.

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