Traduzindo as pesquisas
Garantia de segurança, educação, saúde e pão vai definir a sucessão
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A Pesquisa Quantitativa Nacional realizada pelo Paraná Pesquisas em janeiro de 2026, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº BR-08254/2026, traz dados que ajudam a compreender com maior clareza as prioridades atuais do eleitor brasileiro.
O levantamento tem abrangência nacional e foi realizado a partir de 2.080 entrevistas presenciais em 160 municípios, distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. A metodologia adotada — amostragem probabilística em três estágios, margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e auditoria em pelo menos 30% das entrevistas — confere solidez e credibilidade aos resultados.
Do ponto de vista do conteúdo, o dado mais expressivo é a centralidade da Segurança Pública, apontada por 22,2% dos entrevistados como o principal problema do país. O tema aparece de forma consistente em praticamente todos os recortes analisados, independentemente de gênero, faixa etária, escolaridade, condição econômica ou região.
Na sequência, surgem Saúde Pública (20,1%) e Inflação/preço dos produtos (15,9%), evidenciando que a percepção da população está fortemente ancorada em questões diretamente ligadas ao cotidiano: segurança nas ruas, acesso a serviços de saúde e o impacto do custo de vida sobre o orçamento familiar.
Educação Pública (13,8%) e Geração de Emprego e Renda (9,4%) aparecem logo depois, com variações conforme o perfil do entrevistado. Entre eleitores com maior escolaridade, a educação tende a ganhar mais relevância, enquanto no Sul do país a inflação se destaca acima da média nacional.
Do ponto de vista regional, as diferenças são pontuais, sem rupturas significativas:
– No Sudeste e no Nordeste, a Segurança Pública lidera as preocupações.
– No Norte e no Centro-Oeste, a Saúde Pública aparece como principal tema.
– No Sul, inflação e segurança dividem o protagonismo.
Mesmo entre beneficiários do Bolsa Família, Segurança e Saúde permanecem no topo das preocupações, com a Assistência Social ganhando maior peso, mas sem se consolidar como o problema isolado mais citado.
Em síntese, os dados indicam que o eleitor brasileiro demonstra menor engajamento com pautas abstratas e maior atenção a temas concretos, como segurança, custo de vida, serviços públicos essenciais, educação e emprego. Nesse contexto, a tendência é que o próximo ocupante do Palácio do Planalto seja aquele capaz de traduzir essas demandas em discurso, prioridades e propostas objetivas, alinhadas à realidade percebida pela população.
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Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras
