CLAUDE DEBUSSY
O BRUXO DO MÉIER HOMENAGEIA DEBUSSY
Publicado
em
Prelúdio Intuitivo
A Claude Debussy
Sonhos em cores fantásticas
Jorram da fonte de minha alma
Dormitam no espaço cintilante
No verso, na rosa, na calma.
Vi os símbolos luminosos
Na água refletida a sombra
Não havia na vida mais percalço.
Mas então, na fria tarde de setembro
Pouco antes do crepúsculo do dia
Onde há muitos anos aportou Garcia*
Sim, naquela tarde fria
Quando os pássaros bebiam na fonte
Olhando ao longe o monte, eu dizia
A mim mesmo, como a falar sozinho
A Vida espera que eu a afronte ?
PRELÚDIO À TARDE DE UM FAUNO
A Claude Debussy
Nasceu o sol há algumas horas
Na floresta de tempos imemoriais
Criaturas estranhas habitam-na
Que no mundo não se acham iguais
Revive o Fauno misterioso
A cada dia no princípio da tarde
E a música que canta, estranha e bela
Lembra muito a dos gregos ancestrais
O grande Fauno, neto de Saturno
Personificado em Pã
O deus do todo em tudo
É ser da natureza e das florestas
Das nascentes de águas cristalinas
Amigo das ninfas e dos animais.
………………………
Daniel Marchi (@prof.danielmarchi) é um dos editores do Café Literário, poeta e contista, além de advogado e professor universitário no Rio de Janeiro.
(*) – N. do A.: Neruda dizia que um poema explicado se torna banal. Mas vou correr esse risco apenas para uma elucidação. “Garcia”, no poema, refere-se a Garcia Rodrigues Paes, filho do bandeirante Fernão Dias Paes Leme e Maria Betim, que, ainda no século XVIII, num remanso do rio Paraíba do Sul, no sul do atual Estado do Rio de Janeiro, fundou um pequeno arraial que originou a cidade de Paraíba do Sul, de onde é a minha família materna. Esse poema, escrito há mais de 20 anos, foi inspirado enquanto eu observava um magnífico entardecer sobre a localidade chamada Morro do Vintém, naquela cidade.